Simon articula sessão de solidariedade a Dilma

Na segunda-feira (15), senadores favoráveis à “faxina” de Dilma vão se revezar na tribuna em apoio a ela e contra às ameaças de retaliação sugeridas por alguns líderes e partidos

Aos poucos, começa a se formar uma corrente de apoio à presidenta Dilma Rousseff no Congresso. Ela vem de senadores que ficaram à margem dos entendimentos que levaram seus partidos a compor a base de sustentação do governo. Não estão no grupo os principais líderes dos partidos aliados, incomodados com as seguidas denúncias de corrupção e com a disposição de Dilma de reagir a elas afastando dos cargos aqueles que são apontados como responsáveis. Diante da informação, divulgada pelo Congresso em Foco, de que a cúpula do PMDB reuniu-se para arquitetar “um susto” em Dilma, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), um dissidente no partido, iniciou as articulações para que, na segunda-feira (15), um outro grupo de políticos reveze-se na tribuna em apoio à presidenta, numa demonstração de que ela não está isolada.

“Eu vou dizer de cara: eu gosto da presidenta”, disse Simon, em discurso no plenário na quinta-feira (11). “Porque ela está fazendo o que o Lula não fez, o que o Fernando Henrique não fez. Ela está tendo coragem de agir contra a corrupção, o que eles não fizeram”, fuzilou Simon. Para Simon, o problema de Dilma é que a composição do Ministério e a divisão do poder antes do início do governo foram feitas tomando por base referências meramente políticas. Daí, a reação dos partidos. Nesse sentido, Simon até recomenda: “Vá com calma, presidenta. Não tente mudar tudo da noite pro dia. Mas não recue”.

Diante das reações que já aconteceram – que têm levado inclusive os deputados da base a um processo que batizaram de “obstrução branca” (não votam nada para demonstrar sua insatisfação) –, Simon quer contrapor com manifestações de apoio às demissões feitas por Dilma de pessoas ligadas com denúncias de corrupção. “Ela está numa linha correta, agindo contra a corrupção, e setores do Congesso tentam boicotar”, comentou.

Já estão inscritos para ocupar a tribuna segunda-feira, além de Simon, os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Ana Amélia Lemos (PP-RS), Paulo Paim (PT-RS), Marcello Crivela (PRB-RJ), Pedro Taques (PDT-MT), Wilson Santiago (PMDB-PB), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)  e Eduardo Braga (PMDB-AM). Simon tenta ainda as adesões de Luiz Henrique (PMDB-SC), Casildo Maldaner (PMDB-SC)  e Roberto Requião (PMDB-PR).

Respaldo político

“É preciso dar respaldo político, sustentação, a essa ações da presidenta Dilma de moralização do serviço público”, concorda Ana Amélia Lemos. Apesar de pertencer a um partido da base, Ana Amélia, apoiou, no Rio Grande do Sul, a candidatura de José Serra, do PSDB, nas eleições do ano passado. “Lamentavelmente, Dilma tem uma maioria, mas é uma maioria desorganizada, que cria mais dificuldades ainda”, comenta ela.

“Nós, senadores, temos que resistir. E apoiar a presidenta Dilma no que ela vem fazendo”, emenda o senador Pedro Taques (PDT-MT). “Faço parte da chamada coalizão que sustenta a presidenta. Mas coalização não é sinônimo de submissão. Nem de omissão. Eu votei várias vezes contra projetos vindos do Poder Executivo. Mas o que a presidenta está fazendo, nós temos que apoiar. Não interessa o partido político. Não interessa.”

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