Filhos de ministro da Agricultura faturam com prefeituras

Ao menos R$ 23,6 milhões em verbas publicitárias foram pagos por meio de seis contratos

Dois dos cinco filhos do ministro Wagner Rossi (Agricultura), chefe de uma das pastas sob investigação da Polícia Federal, têm faturado com a produção de filmes institucionais para prefeituras paulistas. Proprietários de uma produtora de vídeos em Ribeirão Preto (SP), a Ilha Produção, os Rossi conceberam filmetes de propaganda para ao menos seis municípios brasileiros, por meio de contratos intermediados por uma única agência – a Versão BR, vencedora das licitações em questão, em que a Ilha figura como empresa terceirizada.

Os sócios da Ilha são Paulo Tenuto Rossi, filho do ministro, e Vanessa da Cunha Rossi, mulher do presidente do PMDB paulista e deputado estadual, Baleia Rossi. E é justamente a participação deste nos negócios que pode configurar violação à legislação eleitoral.

A Ilha Produção foi fundada em 1997 com Baleia entre os sócios. No início de seu mandato como deputado estadual, em 2003, o deputado transferiu sua parte da sociedade para Vanessa. O problema é que o parlamentar entregou à Justiça Eleitoral, no pleito do ano passado, declaração de bens que incluía entre seus bens as cotas de capital da produtora, mas em nome da esposa. E, como define a Constituição, é vedado a parlamentares a contratação de serviços junto a órgãos públicos, com previsão de perda de mandato para quem assim proceda.

A brecha na legislação encontrada pelos filhos de Rossi, mesmo condenada por constitucionalistas, é a terceirização das atividades em nome de uma agência única, como tem sido praticado nos contratos firmados com as prefeituras – entre os mais recentes, todos formalizados com a Versão BR, estão Altinópolis, Americana, Bragança Paulista, Ibitinga, Sertãozinho e Valinhos. Ao menos R$ 23,6 milhões em verbas publicitárias são administrados pela agência por meio desses seis contratos (R$ 14,1 milhões apenas em Americana).

Segundo a Folha Online, Baleia Rossi justificou o negócio dizendo ter se afastado totalmente da Ilha Produção, na qual nunca teria tido “função executiva”, e que jamais a beneficiou valendo-se de influência política. Mas o veículo de imprensa lembra que registros da produtora na Junta Comercial de São Paulo atribuem a Baleia, por determinado período, a função de “sócio-administrador” da empresa.

Paulo Tenuto confirmou a versão de que Baleia jamais teve função executiva na Ilha. O filho de Wagner Rossi diz ainda que a produtora jamais concorreu em licitações públicas. Ele disse ainda que a produtora também concebeu vídeos publicitários para outras agências em contratos firmados com prefeituras de municípios como Barueri, Franca e Ribeirão Preto. As prefeituras dizem que todos os contratos foram legalmente executados. Sócio-diretor da Versão BR, Gustavo Teixeira de Castro enfatizou a relação estritamente comercial com a Ilha Produção.

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