Efraim Filho: sobrenome facilita, mas eleva pressão

Edson Sardinha


Ser filho de político abre portas e encurta o caminho para conquistar um mandato. Mas o herdeiro precisa estar preparado para aguentar a pressão, que vem sempre redobrada. A avaliação é do deputado Efraim Filho (DEM-PB), de 31 anos, filho do ex-senador Efraim Morais (DEM-PB) e presidente da Juventude Democratas, seção do DEM que tem como ?missão? atrair jovens para a ação política.


?Você ter sobrenome conhecido na política ajuda a abrir portas. Para mantê-las abertas, porém, o trabalho é redobrado. O eleitor e as lideranças esperam de você a mesma desenvoltura e a mesma experiência que seu pai tem no trato das questões políticas?, afirma o deputado, que exerce seu segundo mandato consecutivo na Câmara. ?O caminho pode ser mais rápido, mas não menos tortuoso. Se você fez um caminho como passageiro, como condutor é mais fácil?, acrescenta.


Segundo ele, nessa relação, pai e filho compartilham de tudo: os ônus e os bônus. ?Se você faz bem, você faz pela metade. Metade dos louros é compartilhada com o pai. Se você comete deslize, o deslize é dobrado porque também repercute em seu familiar. Sobrenome político nunca foi sinônimo de vitória. Ninguém se iluda, tem de ter muito trabalho?, diz Efraim.


O deputado explica que começou a se interessar pela política ainda na adolescência, quando o pai era deputado federal. E que esse interesse ganhou força na faculdade, onde participou do movimento estudantil. ?Participei de diretórios acadêmicos, de congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes) e de movimentos de classe. Fui presidente do núcleo de assistência ao estagiário da OAB-PB. Tudo isso fui uma grande escola?, conta.


Efraim Filho diz que a experiência com a base eleitoral de Efraim Morais foi importante principalmente em sua primeira eleição. ?Não começamos da estaca zero. Durante o mandato foi mais fácil estabelecer essa relação.?


O deputado considera natural o fato de a grande maioria dos deputados mais jovens vir de família de políticos. Na avaliação dele, isso é uma repetição do que ocorre em outras profissões. ?É natural filho de médico querer ser médico. É natural que quem convive com a política desde a infância queira seguir o mesmo caminho. Essa aproximação ajuda a despertar a vocação política?, avalia.


?A aproximação faz você conhecer esses caminhos, coloca você com as principais estratégias de campanha. Você tem acesso a ferramentas, equipe de planejamento, coisas que você já vivenciou. Ou seja, você sabe o que é preciso para alcançar seu objetivo. Se você entra como calouro, fica mais difícil?, admite.
Integrante do partido que sofreu a maior redução de bancada no Congresso, Efraim Filho diz que a juventude é ?o grande ativo? do DEM hoje. ?No Twitter, a Juventude Democratas é maior que a do PT, que a do PMDB, a do PSDB. É um trabalho silencioso, de formação de base de uma nova geração política para fazer com que o jovem desperte para a política, para que não sejamos conhecidos como uma geração apática e inerte?, afirma.


Para o deputado, o jovem brasileiro gosta de política, mas está decepcionado com a maneira com que ela é feita no país. ?O jovem hoje não vai mais à universidade para fazer política, mas para se qualificar profissionalmente. O movimento estudantil está perdendo o espaço que tinha de ser um fórum de debate de jovens. Hoje isso está restrito à internet?, considera.


Efraim Filho é hoje o único representante da família Morais no Congresso. Candidato à reeleição no Senado, Efraim Morais foi apenas o quarto mais votado na Paraíba ano passado. Mas não deixou a política: é o atual secretário estadual de Infraestrutura.


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