Demóstenes corre o risco de ser preso

Os advogados do ex-senador correm agora para evitar que os responsáveis pela Operação Monte Carlo entrem com um mandado de prisão contra ele, informa Vasconcelos Quadros, na Coluna Esplanada

Vasconcelo Quadros

Fogueira ainda arde
A perda de um mandato que só terminaria em 2018 e a inelegibilidade até 2027 não são as únicas perdas sofridas por Demóstenes Torres. Seus advogados correm agora para tentar evitar que a Polícia Federal e o Ministério Público o indiciem no inquérito da Monte Carlo e emplaquem contra ele um mandado de prisão. As digitais do ex-senador na segunda fase das investigações envolvendo Carlinhos Cachoeira com a Delta são bem visíveis e tornam sua situação dificílima. Sem imunidade, mesmo que consiga exercer o cargo de procurador, Demóstenes agora é alvo.

Sem chance
A probabilidade de Demóstenes recuperar o mandato no Supremo é zero. Seu julgamento foi político e, segundo avaliação de um experiente jurista, a Corte não tomaria uma decisão que gere mais desequilíbrio entre os poderes.

Na guilhotina
Tornou-se incerta a permanência de Celso Lacerda na presidência do Incra. Pesa contra ele mais o ruim desempenho da autarquia na preservação ambiental e menos o fato da autarquia ter virado feudo do MST.

Os números
O levantamento do MPF do Pará é alarmante: entre 2010 e 2011, os assentamentos rurais sob responsabilidade de Lacerda contribuíram com taxas de 26% e 31% do desmatamento na Amazônia.

Cheiro de encrenca
A ainda inexplicada queda de José Humberto Almeida da chefia de gabinete da presidência da Câmara, consumada ontem, ainda vai causar dor de cabeça ao presidente da Casa, Marco Maia. Tudo que envolvia despesas no gordo orçamento da Câmara passava por Zé Humberto, que deixa o cargo no rastro de outro barnabé peso pesado, Sérgio Sampaio, da secretaria da Mesa.

Volta às origens
O ex-ministro das Cidades, Márcio Fortes passou a ocupar um cargo no Ministério das Minas e Energia, desta vez no grupo que vai garantir o abastecimento nos locais dos jogos olímpicos e paraolímpicos de 2016 no Rio. Há 20 anos ele foi secretário executivo do MME.

À frente
“Falta de energia e falhas no abastecimento, nem pensar. Quando todo mundo corre atrás, tenho de correr à frente”, diz Fortes, presidente da Autoridade Pública Olímpica.

Aos navegantes
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, avisou o PT e o Palácio do Planalto que não entra na disputa de 2014. Seu projeto presidencial é para 2018. Com 34 deputados e três senadores quer, antes, dar mais musculatura ao PSB.

Morte presumida
Diante da grande dificuldade em identificar o paradeiro de 142 ativistas da esquerda armada desaparecidos nos anos de chumbo, a Comissão da Verdade estuda a hipótese de usar o recurso da morte presumida para encerrar o dilema das famílias.

Infrazero
Quem tentar navegar pela internet sem fio no Aeroporto Internacional de Brasília e não tiver passagem aérea em mãos nem adianta ir para as áreas públicas. A Infraero não permite acesso gratuito em nenhuma hipótese.

Recesso
Demóstenes Torres ainda agonizava quando a maioria dos senadores deixava Brasília rumo às suas bases regionais.

Corinthians
Corintiano roxo, o ex-presidente Lula já mandou sua assessoria atrás de Andrés Sanchez, para garantir vaga na comitiva que assistirá o mundial de clubes em dezembro, em Tóquio.

Dilma e a LDO
Não era necessidade de se reaproximar da bancada do PT. Dilma foi ao jantar na casa de Marco Maia, na terça, pedir empenho para votar logo a Lei de Diretrizes Orçamentárias e uma definição sobre critérios e valores das emendas parlamentares.

Sem interlocução
Em meio ao impasse, o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), viajou para os Estados Unidos com a família, deixando a bancada sem interlocução. O governo terá de fazer convocação durante o recesso.

Babel
Em raros momentos se viu tanta falta política: Chinaglia não se entende com Marco Maia, que não se entende com o presidente do Senado, José Sarney, que tem dificuldades em se entender com o governo. Por isso, o recesso deverá ser interrompido.

Pinicada
Conclusão do ex-deputado Roberto Jefferson, pai do “mensalão”, sobre o outrora implacável paladino da ética, Demóstenes Torres: “Os moralistas sempre caem”.

Com Gilmar Correa e Marcos Seabra

contato@esplanada.com.br . www.colunaesplanada.com.br

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!