Complôs políticos na PF

Rocha Mattos afirma que delegado foi escolhido para “fritar”, em um inquérito, o corregedor da Receita Federal e um procurador da República


Vasconcelo Quadros

Alijado de praticamente todas as etapas da Operação Anaconda – sobre a qual tomou conhecimento pelo noticiário –, o atual superintendente da Polícia Federal em São Paulo, delegado Francisco Baltazar da Silva, amigo e chefe da escolta de segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas campanhas eleitorais de 1989, 1994, 1998 e 2002, é apontado por Rocha Mattos como vítima de uma suposta conspiração para tirá-lo do cargo.

O juiz afirma que, enquanto era titular da 4ª Vara da Justiça Federal, recebeu um pedido, “ainda que velado”, do delegado Marco Antônio Veronezzi, homem de confiança do senador Romeu Tuma, para ajudar a derrubar Baltazar. Veronezzi, conforme o juiz preso, queria assumir a vaga e, na conversa que ambos travaram, teria insinuado que havia corrupção na superintendência envolvendo subordinados de Baltazar, lotados em cargos de chefia.

Rocha Mattos cita delegados subordinados a Baltazar (“Nivaldo, Luiz Roberto e Grachet”), que teriam praticado corrupção, mas frisa que soube dos nomes através do delegado João Carlos Sanchez Abraços – o mesmo que trabalhou ao lado de Lacerda nas investigações do Caso PC/Collor e em outros inquéritos famosos sobre crimes financeiros envolvendo grandes figurões.

Abraços, procurado pelo Congresso em Foco, disse que pode ter até mencionado um nome ou outro em conversas informais, mas que não chegou a acusar ninguém concretamente. “Alguém pode ter chegado para mim e falado que fulano é isso ou aquilo e eu ter respondido: ‘então, tá’”.

Baltazar, por sua vez, informou que as denúncias contra os três delegados estão sendo apuradas pela Corregedoria da Polícia Federal.

Receita Federal
Ainda na linha dos supostos complôs dentro da PF, Rocha Mattos fala de um caso aparentemente mais sério. Ele afirma que Abraços usou seu poder junto a Lacerda para indicar um delegado para presidir inquérito que tinha como único fim indiciar o corregedor da Receita Federal, Moacir Leão.

Leão, segundo Rocha Mattos, seria inimigo do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e a única forma de afastá-lo do cargo era por meio de um indiciamento em inquérito policial.

O mesmo inquérito teria como objetivo, segundo Rocha Mattos, “fritar” o procurador da República Guilherme Schelby.

Abraços nega possuir esse tipo de influência na Polícia Federal. “Eu tenho um bom conceito na Polícia Federal, mas não indico e não sugiro o nome de ninguém para qualquer cargo”, disse. O delegado afirma ter se encontrado com Lacerda três vezes desde que este tomou posse na direção da PF.

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