Blairo é esperança de diálogo entre bancadas

Renata Camargo


Um dos maiores produtores de soja do mundo, o senador eleito Blairo Maggi (PR-MT) recebeu dos ambientalistas o jocoso título de “motosserra de ouro” em 2005. Cinco anos depois, o ex-governador de Mato Grosso desembarca no Senado com uma nova imagem. É visto agora como um possível interlocutor das bancadas ruralista e ambientalista no Congresso.


“O Blairo é um cara que serviu de lastro para acordos importantes, como a moratória da soja e reagiu rapidamente aos problemas de desmatamento feitos pela pecuária no estado. É um produtor rural que, se quiser, pode ser um facilitador e tanto do diálogo. Acho que ele tem a capacidade de ser um meio de campo de um possível acordo no tema do Código Florestal, principalmente”, avalia o coordenador de campanhas do Greenpeace, Nilo D’Ávila. A organização não-governamental foi responsável pela “entrega” do prêmio ao então governador em 2005.


Apesar de tomarem posições, muitas vezes, antagônicas, ruralistas e ambientalistas podem ganhar um reforço de bancada vindo de um mesmo político. Os dois lados consideram que Blairo tem amadurecido e buscado o diálogo entre produtores rurais e ambientalistas no estado. Também são bem-vistas as ações tomadas por seu governo no combate ao trabalho escravo.


“O Blairo Maggi tem várias faces na mesma pessoa: de governador motosserra de ouro ao cara que tentou estabelecer um importante sistema de controle ambiental no estado”, diz o representante do Greenpeace, referindo-se à parceria firmada entre o ex-governador e o ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc para a implantação do projeto MT Legal, uma tentativa de regularização ambiental de propriedades rurais no Mato Grosso.


Responsável pela movimentação de 8% de toda a soja produzida no Brasil, Blairo adotou medidas de desestímulo à pecuária extensiva, considerada uma das principais causas de desmatamento, e atuou na regularização da situação fundiária de fazendeiros que atuavam nas bordas das florestas. O ex-governador também convenceu os grandes esmagadores de soja a assinarem a chamada “moratória da soja”, acordo pelo qual se comprometeram a não comprar grãos provenientes de áreas recém-desmatadas.

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