Acuado, Demóstenes deixa a liderança do DEM

Sob suspeita por causa de relação com bicheiro preso pela PF, senador diz que afastamento é necessário para acompanhar “a evolução dos fatos noticiados nos últimos dias”. Em seu lugar, assume José Agripino

Suspeito de ter relações com o esquema de jogo ilegal do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) afastou-se hoje (27) da liderança do partido no Senado. Em carta enviada ao presidente da sigla, senador José Agripino (DEM-RN), Demóstenes atribui o afastamento à necessidade de “acompanhar a evolução dos fatos noticiados nos últimos dias”. Os dois conversaram sobre o assunto pela manhã. Agripino assume a liderança no lugar de Demóstenes.

O afastamento de Demóstenes mostra como o senador está acuado com as acusações. As primeiras notícias sobre a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que prendeu Cachoeira pela exploração ilegal do jogo de bingo, falavam do relacionamento de Demóstenes com o bicheiro e que Cachoeira dera de presente de casamento para Demóstenes uma cozinha completa importada. Depois, surgiram informações de que o bicheiro dera de presente ao senador um aparelho de rádio/telefone Nextel para que os dois pudessem conversar sem serem grampeados. Mais tarde, as denúncias já falavam de dinheiro pedido por Demóstenes a Cachoeira. Finalmente, a revista Carta Capital afirmou que o senador ficava com 30% do que era faturado com a exploração ilegal de jogo.

Demóstenes queixa-se de ataques a sua honra
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Na segunda-feira (26), senadores foram à tribuna pedir explicações a Demóstenes. Hoje (27) pela manhã, um grupo esteve na Procuradoria-Geral da República para saber do andamento das denúncias. O procurador-geral, Roberto Gurgel, dispõe das acusações contra Demóstenes desde 2009 e não tomou providências. No DEM, começou-se a cogitar a hipótese de expulsão de Demóstenes. Foi diante desse quadro que ele resolveu deixar a liderança do partido no Senado.

De acordo com a assessoria de imprensa de Demóstenes, ele não falará sobre o assunto com a imprensa. Tampouco, se pronunciará em plenário.

Incômodo

Presidente do DEM, José Agripino disse que o partido irá “se mover” caso tenha conhecimento de provas que mostrem o envolvimento de Demóstenes com o bicheiro. “A dúvida gera um incômodo”, afirmou. Ele acrescentou que um processo de expulsão do partido só será aberto quando houver informações oficiais das investigações. A Procuradoria-Geral da República ainda não divulgou as informações do processo.

"Não é que se abra discussão sobre expulsão, mas qual a gravidade das denúncias? Qual a qualidade das denúncias? O que existe? Se a Procuradoria dispõe de elementos e se os elementos são contundentes, é evidente que o partido irá se mover. O que é preciso é que a Procuradoria apresente os fatos que tem para que o partido e a nação avaliem a gravidade e a qualidade da denúncia", afirmou o líder antes de participar da reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

De acordo com reportagem da revista Carta Capital, investigações da PF indicam que o senador arrecadou R$ 50 milhões após se associar com o bicheiro. Cachoeira controlava uma rede de 8.000 máquinas ilegais de caça-níqueis e 1.500 bingos clandestinos, segundo a revista. O Globo informou que interceptações telefônicas feitas pelos policiais federais mostram Demóstenes pedindo dinheiro ao bicheiro para pagar um táxi-aéreo.

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