EUA têm eleição mais acirrada e imprevisível das últimas décadas

O resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos ainda é imprevisível. A disputa está mais acirrada do que projetavam as pesquisas. As atenções agora se voltam para quatro estados que podem decidir a disputa. O candidato republicano à reeleição, Donald Trump, lidera em três deles, mas há ainda cerca de 3,6 milhões de votos a serem contados, segundo estimativas da Edison Research e do jornal The New York Times.

Georgia, Michigan, Pennsylvania e Wisconsin são considerados "estados-pêndulo", onde a população não tem uma tradição de voto fiel a um ou outro partido. Por isso, estes lugares foram os mais visados pelas campanhas de Trump e do democrata Joe Biden.

A situação fica mais complexa devido ao alto número de votos recebidos pelo correio, que tem tornada a apuração mais demorada. Como não há uma legislação federal orientando a apuração destes votos nos EUA, cada estado pode ter resultados em momentos diferentes.

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Trump lidera na Georgia por 102 mil votos – mas ainda restam 410 mil votos a serem calculados, a maioria na cidade de Atlanta, o que tende a favorecer Biden. Em Michigan, Trump lidera por 64 mil votos, mas há 970 mil aguardando contagem. Na Pennsylvania, estado considerado o mais crítico da eleição, Trump tem 600 mil votos de vantagem, mas há o triplo de votos não contados.

No Wisconsin, a vantagem de Biden é de apenas sete mil votos, com ainda 400 mil votos pela frente. Historicamente, nas últimas três décadas, os votos pelo correio tendem a favorecer democratas, o que gera mudança nos resultados.

Para vencer, um candidato precisa ter 270 votos entre os delegados. Até o momento, Biden aparece com 238 votos e Trump, com 213.

Trump se autodeclara vencedor

Durante a madrugada, o presidente americano e candidato à reeleição Donald Trump anunciou que venceu a eleição presidencial dos EUA em 2020 – apesar de vários estados não terem concluído a apuração, e seu concorrente estar à frente no placar. O candidato republicano afirmou que vai à Justiça para impedir que os votos ainda não apurados sejam contados.

Em discurso na Casa Branca, Trump disse que acionará a suprema corte para paralisar o processo eleitoral. "Nós vamos à Suprema Corte americana – queremos que toda a votação pare", disse. "Isso é uma enorme fraude. É uma vergonha para o nosso país. Francamente, nós ganhamos esta eleição", afirmou sem apresentar detalhes da denúncia que fazia.

O Twitter chegou a ocultar mensagens de Trump acusando a campanha de Biden de roubar a eleição:

O democrata Joe Biden discursou logo em seguida e considerou "ultrajante" a fala de Trump, e pediu paciência para apuração dos votos nos EUA.

Até a manhã desta quarta-feira, a disputa segue indefinida: Biden lidera o Colégio Eleitoral por 227 a 213, segundo o New York Times. São necessários 270 votos para garantir a vitória. A votação nos EUA já acabou: o que pode demorar mais alguns dias é a contagem dos votos recebidos por correio em estados-chave.

Plebiscitos sobre maconha, Uber e aborto

Junto às eleições de cargos como presidente, governador, senadores e deputados, americanos de diversos estados foram às urnas votar por temas específicos. É comum que plebiscitos estaduais sejam incluídos na cédula de votação.

Ao menos quatro estados votaram nesta terça-feira (3) por algum tipo de legalização do consumo de maconha. Arizona, Dakota do Sul e Nova Jersey permitiram que adultos com mais de 21 anos consumam, plantem e comercializem a droga. A Dakota do Sul também aprovou o uso medicinal da maconha. A apuração estado de Montana, no centro-norte americano, aponta para que a maconha seja legalizada.

Na Califórnia, uma proposta de reconhecer motoristas de aplicativos como "empregados" das plataformas foi barrada, com 58,4% da população votando por classificar a relação de trabalho como a de "contratante independente". A proposta vencedora foi apoiada por empresas do ramo que atuam no país, como Uber e Lyft.

O estado do Colorado manteve uma lei que permite o aborto após as 22 semanas de gestação. 59,1% da população foi contra uma proposta, levada à plebiscito, que poderia banir a regra. Já na Louisiana, estado que possui uma das regras mais restritivas do aborto no país, 62% da população votou contra qualquer previsão a aborto na constituição do estado.


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