Brasileira na ONU diz que mundo depende de jovens e indígenas (vídeo exclusivo)

Uma jovem brasileira foi a primeira a discursar na cúpula de clima da ONU. Paloma Costa compôs a mesa ao lado do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres e da adolescente sueca Greta Thunberg, que tem impactado o mundo através do ativismo ambiental. O governo brasileiro não foi convidado para abrir o evento.

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Em meio a crise ambiental que tem afetado a imagem do Brasil mundo afora, Paloma tem inspirado os jovens e se esforçado para mostrar que no país, independente das atitudes dos governantes, existem pessoas que têm se esforçado para fazerem a diferença.

Paloma tem 26 anos, é estudante de direito e colaboradora do Instituto Socioambiental (ISA). Ela também atua como coordenadora de clima da ONG Engajamundo, que visa capacitar jovens para serem agentes transformadores. Essa não é a primeira vez que a jovem nascida em Brasília ultrapassou as fronteiras do país para levantar a bandeira de um planeta ecologicamente sustentável. A jovem já foi para a Polônia e Abu Dhabi representando o Engajamundo.

Na ONU, ela abriu o evento ao lado de Greta Thunberg, ativista sueca de 16 anos, que se transformou na maior liderança mundial no tema. Greta teve um discurso forte e mandou um recado aos líderes mundiais. "Vocês ainda se aproximam de nós, jovens, para ter esperança. Como ousam?", indagou a garota.

Paloma Costa seguiu o mesmo tom, e afirmou para os líderes das maiores nações do mundo que "não precisamos de oração, precisamos de ação".

"Nas últimas semanas, o mundo viu com horror as chamas consumirem a Amazônia. Eu vi o mundo rezando por nossas florestas e vi nossos povos indígenas lutando pela sobrevivência. Nós não precisamos de orações, nós precisamos de ação. E a reação que vemos não é suficiente. Então eu me pergunto: precisamos ver a Amazônia em chamas para começar a fazer alguma coisa? Eu acho que não", disse Paloma.

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Em vídeo encaminhado ao Congresso em Foco, Paloma Costa reforçou o discurso que fez na abertura. "Eu quero que a gente comece a levar em consideração as soluções que nós jovens e os povos indígenas, que são as pessoas mais impactadas pelas mudanças climáticas, estão tomando. Não adianta a gente achar que vai ter um futuro se a gente não começar a escutar toda a sabedoria, todo o conhecimento, tudo o que essa galera tem a ensinar", disse a jovem ao site.

 

Discurso completo de Paloma Costa*

Meu nome é Paloma Costa, e eu sou do Brasil.

Eu sou uma socioambientalista, ativista de bicicleta, educadora do clima e mobilizadora da juventude. Eu venho testemunhando como comunidades indígenas e tradicionais e outros grupos minoritários sofrem o impacto da crise climática.

Um grande líder indígena do Brasil disse recentemente que os povos indígenas têm resistido desde o início. E quanto a nós? Estaremos aptos a resistir? Bem, a juventude está mobilizada, nós não vamos trabalhar com indústrias que desmatam, nós não ficaremos em silêncio. Já mudamos nossos hábitos, e vocês não estão nos acompanhando. Os povos indígenas possuem tanto conhecimento e conexão com nossa Terra, e nós ainda não damos ouvidos a eles. Eles se unem para proteger sua terra, por que não podemos fazer a mesma coisa e proteger nosso lar?

Nas últimas semanas, o mundo viu com horror as chamas consumirem a Amazônia. Eu vi o mundo rezando por nossas florestas e vi nossos povos indígenas lutando pela sobrevivência. Nós não precisamos de orações, nós precisamos de ação. E a reação que vemos não é suficiente. Então eu me pergunto: precisamos ver a Amazônia em chamas para começar a fazer alguma coisa? Eu acho que não.

Desde minha primeira greve pelo clima com a Greta, na COP 24, meio bilhão de árvores foram destruídas na Amazônia. As pessoas ainda me perguntam se eu tenho medo de defender o meio ambiente, porque defensores ambientais vivem em grande perigo. Bem, eu NÃO TENHO! Tenho medo de morrer por causa da crise climática.

Estamos vivendo uma emergência climática que está afetando nossa segurança alimentar, nossa saúde e nossas vidas. E nós temos as soluções para resiliência e para mitigação.

Nós vivemos em um mundo dividido, enquanto temos aqui as melhores mentes ainda há pessoas fora daqui, e aqui dentro, se perguntando se a crise climática é real ou não. Bem, é.

O próprio Secretário-Geral lançou um desafio ao mundo, eu tenho trabalhado junto com a ONU para ajudar a realizar a Cúpula da Juventude para o Clima, no sábado, por meio do grupo de trabalho jovem. Eu sei que todos aqui estão prontos. Eu sei. Vocês vão parar de falar para que possamos transformar os compromissos em ação e solução? Ou vamos esperar nos encontrarmos ano que vem novamente aqui? Se eu posso pedir alguma coisa a nossos líderes eu diria que quero que todas as nações declarem emergência climática, para que isso se torne o primeiro item da agenda de todos os líderes. Minha demanda não é uma mera declaração simbólica, mas um compromisso genuíno com o meio ambiente e com os povos originários e tradicionais, que o protegeram por séculos e que ainda são oprimidos.

Eu continuarei a informar a juventude, a defender os direitos humanos e ambientais, a ouvir os jovens e os povos indígenas, para construir a agenda do clima no Brasil SEM desculpas. Eu não quero ouvir desculpas aqui. Agora é a SUA vez de fazer história e de tomar uma atitude urgente, para garantir um futuro seguro para todos nós. Vamos fazer isso juntos. Estamos aqui agora. É a nossa hora.

*Discurso disponível no site do Instituto Socioambiental

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