Prestes a deixar cargo, Trump teve só um compromisso oficial no último mês

Nesta quarta-feira (20), Joe Biden toma posse como o 46º presidente dos Estados Unidos da América. A cerimônia de posse – televisionada ao mundo todo, mas com público mínimo e alta segurança devido à pandemia e à ameaça de grupos terroristas do país, será a primeira em 151 anos a não contar com a presença do seu antecessor, o republicano derrotado nas urnas Donald Trump.

Mais do que a falta de vontade de Trump em reconhecer a derrota e ajudar na transição entre governos, o gesto de não comparecer conclui um mês onde Trump não teve nenhum compromisso oficial como líder do país mais influente em todo o ocidente. Uma análise do Congresso em Foco nas agendas do presidente mostra que Trump teve apenas um compromisso oficial típico de presidente desde o dia 18 de dezembro.

Os dados – que não estão presentes no site da Casa Branca – foram coletados pelo Factbase, que analisa todos os arquivos públicos disponíveis sobre Trump desde 1983. Segundo o site, em 1461 dias como presidente, Trump passou 22% do tempo (321 dias) em algum de seus campos de golfe. O presidente também gastou 145 dias como presidente em Mar-A-Lago, um clube de sua propriedade na Flórida, e para onde deve se mudar a partir de amanhã.

No calendário de eventos, é possível ver que Trump teve um encontro em 18 de dezembro, uma semana antes do natal, com o secretário de Defesa do país, Chris Miller. Desde então, a agenda pública do presidente não contou com nenhum evento próprio da presidência da República até o dia 12 de janeiro, quando o presidente dos Estados Unidos viajou ao Texas para conferir obras do muro na fronteira com o México.

A agenda oficial de Trump é extremamente vaga. Desde a véspera do Natal, a maioria dos informes diz apenas que Trump segue trabalhando. "Durante as festas de fim e ano, o presidente Trump continua a trabalhar incansavelmente pelo povo americano. Sua agenda inclui muitos encontros e telefonemas", diz a mesma mensagem entre os dias 24 de dezembro e 3 de janeiro.

O noticiário norte-americano reporta uma realidade bem diferente: Trump tem o costume de passar o dia vendo TV, e também gastava parte do seu dia no Twitter – até que a rede social resolveu bani-lo. Nos seus encontros privados, Trump discutia com aliados próximos como reverter a derrota nas eleições de novembro, sob o argumento de fraudes que jamais foram comprovadas.

Isso ficou mais claro no dia 6 de janeiro, quando a agenda presidencial incluiu o discurso que ele fez em frente à Casa Branca, incitando manifestantes contra o Congresso do país. O ataque que se seguiu, com o saldo de cinco mortos, rendeu a Trump o seu segundo impeachment – o único presidente a conseguir o feito no mesmo mandato. O país também é o mais afetado pela pandemia de covid-19 no mundo todo, e chegou a registrar 4.350 mortos em um único dia da semana passada.

Hoje, em seu último dia cheio de mandato, Trump fará o mesmo dos últimos sete dias, segundo sua agenda. "O presidente Trump trabalhará de manhã cedo até tarde da noite. Ele fará muitas ligações e terá muitos encontros", diz a sua agenda.


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