PSB diz que fala de Bolsonaro sobre a Folha é ataque a liberdade de expressão

O PSB aprovou neste sábado (30) uma moção de repúdio ao "ato arbitrário" do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) em retirar a Folha de S.Paulo de um edital de renovação de jornais e revistas da administração federal. O partido também criticou  o presidente por "incitar boicote aos anunciantes do jornal".

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"A decisão do presidente de retirar o jornal Folha de S. Paulo da licitação do governo federal e a incitação a boicotes aos seus anunciantes são uma grave tentativa de sufocar financeiramente uma voz quase secular da imprensa de nosso país", afirma o partido em nota.

As críticas foram feitas em um documento elaborado durante a Conferência Nacional do partido, que discute uma autorreforma na sigla. De acordo com o PSB, o ato de Bolsonaro é um "ataque à liberdade de imprensa e de expressão", "além de caracterizar abuso de poder político e desvio de finalidade".

"O atual presidente é incapaz de enxergar a linha que separa a esfera pública da esfera privada. Desde que tomou posse, tem reiteradamente destilado seu autoritarismo e dado vazão aos seus anseios antirrepublicanos, à revelia dos fatos, da ordem pública e do bem comum", explica o partido.

A legenda disse ainda que é necessário aprender a conviver com os dissensos, além de valorizá-los. "O PSB não aceita qualquer tipo de censura, algo incondizente com a consolidação de uma democracia sólida, plena e solidária, que tanto lutamos para construir no Brasil", afirma.


Para o presidente da sigla, Carlos Siqueira, a declaração do presidente corresponde a "espécie de restrição grave à liberdade de imprensa quando ele investe pesadamente contra um veículo de comunicação".

Líder do partido na Câmara, deputado Tadeu Alencar (PSB-PE), afirmou que o presidente "flerta, namora e quer se casar com o autoritarismo".

Já o líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), classificou a atitude do presidente como "inaceitável". "O presidente continua investindo contra o jogo democrático, agora ao atacar a Folha de S. Paulo e propor um boicote gravíssimo, sentidos não apenas por um veículo, mas por toda a imprensa livre", explicou.

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