Eduardo Bolsonaro diz que vai processar Facebook e Instagram por post apagado sobre jornalistas da Época

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, e pré-indicado para o posto de embaixador brasileiro nos Estados Unidos, afirmou em suas redes sociais que vai processar as empresas Facebook e Instagram, após ter uma postagem bloqueada em suas redes sociais. No post, o deputado expunha fotos dos jornalistas Plínio Fraga, ex-editor-chefe da revista, e Daniela Pinheiro, ex-diretora de Redação, responsabilizando-os pela publicação de uma reportagem a respeito do trabalho de sua mulher, Heloisa Bolsonaro.

Na matéria, publicada semana passada, o repórter narra como foi participar durante um mês de sessões de coaching oferecidas via internet por Heloisa. Críticas se espalharam na internet porque o jornalista não informou à nora do presidente que estava fazendo uma reportagem nem se identificou como profissional de imprensa. Eduardo alega que tomou a decisão de processar as plataformas por orientação do escritor Olavo de Carvalho porque considera que houve "censura" à sua liberdade de expressão.

Nesta segunda-feira (16), conforme noticiado pela imprensa, a cúpula da publicação pediu demissão. Deixam a revista, além de Daniela Pinheiro e Plínio Fraga, o editor Marcelo Coppola. O desligamento coletivo veio depois que o Conselho Editorial do Grupo Globo publicou uma nota, contrariando posicionamento anterior da Época, pedindo desculpas à esposa do deputado e ao próprio parlamentar. Veja a íntegra abaixo:

“Como toda atividade humana, o jornalismo não é imune a erros. Os controles existem, são eficientes na maior parte das vezes, mas há casos em que uma sucessão de eventos na cadeia que vai da pauta à publicação de uma reportagem produz um equívoco.

Foi o que aconteceu com a reportagem “O coaching on-line de Heloisa Bolsonaro: as lições que podem ajudar Eduardo a ser embaixador”, publicada na última sexta-feira. ÉPOCA se norteia pelos Princípios Editoriais do Grupo Globo, de conhecimento dos leitores e de suas fontes desde 2011. Mas, ao decidir publicar a reportagem, a revista errou, sem dolo, na interpretação de uma série deles.

É certo que em sua seção II, item 2, letra “h”, está dito: “A privacidade das pessoas será respeitada, especialmente em seu lar e em seu lugar de trabalho. A menos que esteja agindo contra a lei, ninguém será obrigado a participar de reportagens”. A letra “i” da mesma seção abre a seguinte exceção: “Pessoas públicas – celebridades, artistas, políticos, autoridades religiosas, servidores públicos em cargos de direção, atletas e líderes empresariais, entre outros – por definição abdicam em larga medida de seu direito à privacidade. Além disso, aspectos de suas vidas privadas podem ser relevantes para o julgamento de suas vidas públicas e para a definição de suas personalidades e estilos de vida e, por isso, merecem atenção. Cada caso é um caso, e a decisão a respeito, como sempre, deve ser tomada após reflexão, de preferência que envolva o maior número possível de pessoas”.

“O erro da revista foi tomar Heloisa Bolsonaro como pessoa pública ao participar de seu coaching on-line. Heloisa leva, porém, uma vida discreta, não participa de atividades públicas e desempenha sua profissão de acordo com a lei. Não pode, portanto, ser considerada uma figura pública. Foi um erro de interpretação que só com a repercussão negativa da reportagem se tornou evidente para a revista.

Em sua seção 1, item 1, letra “r”, os Princípios Editoriais do Grupo Globo determinam: “Quando uma decisão editorial provocar questionamentos relevantes, abrangentes e legítimos, os motivos que levaram a tal decisão devem ser esclarecidos”. E o preâmbulo da mesma seção estabelece com clareza: “Não há fórmula, e nem jamais haverá, que torne o jornalismo imune a erros. Quando eles acontecem, é obrigação do veículo corrigi-los de maneira transparente”.

É ao que visa esta Carta aos Leitores. Explicar o que levou à decisão editorial equivocada, reconhecer publicamente o erro e pedir desculpas a Heloisa Bolsonaro e aos leitores de ÉPOCA.”

Na sexta-feira (13), a Época havia sustentado, em nota, que a reportagem foi produzida com “o respeito à ética e a retidão dos procedimentos jornalísticos que sempre pautaram as publicações da revista”.

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