Camiseta do Che e sindicato: a atuação pré-bolsonaro de Oswaldo Eustáquio

Antes de integrar o grupo de blogueiros e jornalistas que fazem a linha de frente do discurso bolsonarista mais radical, Oswaldo Eustáquio, preso na manhã desta sexta-feira (26), era diretor sindical no Paraná, visto pelos colegas de gestão como um sujeito alinhado mais à esquerda que à direita. 

Eustáquio, que atualmente direciona boa parte de seus ataques à imprensa tradicional, já ajudou a organizar, em 2015, um ato do sindicato que defendia um jornalista da emissora afiliada da Rede Globo no Paraná (RPC), vítima de perseguição por parte de grupos políticos que vinha denunciando. 

Oswaldo Eustáquio, em manifestação em Londrina, em 2015, pedindo o fim da perseguição a um jornalista da afiliada da Rede Globo [ fotografo] Divulgação/Sindijor-PR [/fotografo]
No campeonato de futebol de salão do sindicato, por exemplo, defendia o time Che Garotos, cujo escudo é uma imagem do guerrilheiro argentino Che Guevara.

Segundo ex-colegas, a virada veio num momento que coincide com a derrocada do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em 2016, um texto homofóbico publicado por Eustáquio foi a primeira percepção pública dos colegas sindicalistas de que a orientação política do jornalista tinha mudado. Ele foi interpelado por entidades ligadas aos direitos LGBTQIA+ e isso acabou levando a seu afastamento da entidade representativa. 

A partir de então, ele foi se alinhando a grupos mais à direita até que entrou de cabeça no bolsonarismo. Segundo ex-colegas do Paraná, isso ocorreu depois que sua esposa, Sandra Terena, foi indicada por Damares Alves para o cargo de secretária nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

Com essa atuação, Eustáquio se aproximou de outras figuras centrais na comunicação bolsonarista e, além de defender o governo e atacar a imprensa, tem participado e discursado em muitos dos atos em que se defendeu a intervenção militar e o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. 

O Congresso em Foco não conseguiu contato com os advogados de Eustáquio, entretanto, após sua prisão, seu perfil no Twitter publicou o seguinte texto: “Eu Oswaldo Eustáquio, portanto, prisioneiro no Senhor, suplico-vos que andeis de modo digno. Se cumpriu a mandado de prisão de busca e apreensão a pedido de Alexandre de Moraes do STF. Me torno hoje um jornalista preso político, minha voz não será calada. A cadeia se romperá”.

 

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!