Brasil é pioneiro no monitoramento da cobertura vegetal Amazônica

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura lançou nesta sexta-feira (8) um relatório sobre a liderança do Brasil em tecnologias de sensoriamento remoto, usadas para monitorar a cobertura e uso da terra. O levantamento aponta a necessidade de conciliação da dualidade agronegócio e meio ambiente, especialmente em um cenário de intensa participação da agricultura na economia brasileira - debate que, segundo o cientista Carlos Nobre, é muito atual devido às recentes críticas do governo aos dados de desmatamento na Amazônia.

De acordo com o movimento, existe uma quantidade robusta de dados de qualidade para fazer um retrato da dinâmica da cobertura do solo no Brasil, mas ainda é incipiente a aplicação das ferramentas tecnológicas.

Na linha do desenvolvimento sustentável, o Brasil foi o primeiro país a desenvolver uma metodologia robusta para o monitoramento das alterações da cobertura vegetal da Região Amazônica, que foi replicada, em seguida, para outros países com florestas tropicais, por meio de programas de capacitação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) - alvo de recentes críticas do governo Jair Bolsonaro.

“É importante para os investidores ter um sistema de informações confiável e organizado”, segundo o relatório, com dados que levem em conta os “efeitos do meio ambiente sobre os sistemas de produção, os custos e a variabilidade de preços, questões fundamentais para o diagnóstico adequado do risco agrícola”.

Leia a íntegra do relatório “Brasil: inteligência e dados sobre cobertura e uso da terra”

O Brasil é pioneiro na produção de informação a partir de dados de satélites de observação da Terra, segundo o cientista Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências e da US National Academy of Sciences. Na década de 1970, o país começou a desenvolver tecnologias baseadas em imagens de satélites para monitorar os recursos naturais e alterações da cobertura vegetal do território nacional.

Em seminário realizado em maio, o movimento defendeu a harmonização do meio ambiente com a área de produção, que vive acentuada polarização. É considerada a necessidade de construção de um país “próspero, justo para seus habitantes, ambientalmente saudável e bom para os negócios”, o que acabará atraindo a atenção de investidores com preocupação sustentável para o país.

A Coalizão Brasil acredita que o desafio é comunicar à sociedade de forma clara, para aumentar a participação dela no debate público e político sobre a economia de baixo carbono e o combate às mudanças climáticas. Tal dificuldade no diálogo acontece em decorrência do acesso a uma “infinidade de informações pela internet e às possibilidades de manipulações que podem ser aproveitadas por quem oferece soluções fáceis para problemas complexos”.

A Coalizão Brasil é um movimento que reúne mais de 200 representantes das entidades de defesa do meio ambiente, lideranças do agronegócio e academia, a Coalizão Brasil promoveu um seminário científico sobre dados relacionados à dinâmica de cobertura do uso da terra, em maio de 2018, em São Paulo. Agora, lança o relatório resultado deste debate, que reúne os principais dados dos maiores especialistas no tema.

“Bons dados podem produzir informações consistentes para a tomada de decisão, enquanto dados ruins podem criar políticas e análises equivocadas ou de curto alcance”, destaca o relatório.

Mudança de realidade 

Na visão da Coalizão Brasil, qualquer dado sobre uso da terra está associado a um grau de incerteza, fato inerente ao método científico usado na sua produção. Pede atenção à mudança de realidade pela qual o planeta atravessa, que afeta diretamente os setores de agricultura e de serviços ambientais, como a manutenção dos ciclos hídricos, atenuação de extremos de temperatura, chuvas excessivas ou secas, o sequestro e captura de carbono e a proteção da biodiversidade.

“Brasil: inteligência e dados sobre cobertura e uso da terra”

O relatório traz um resumo das apresentações do seminário científico promovido pela Coalizão Brasil em 2018. Nos painéis 1 e 2, pesquisadores vinculados a universidades, instituições governamentais, entidades do terceiro setor e prestadores de serviços altamente especializados apresentaram as diferentes tecnologias e metodologias usadas na obtenção e processamento de dados de uso e cobertura da terra e também a acurácia e as incertezas científicas associadas a estes dados.

Demonstraram também como foi possível usar décadas de conhecimento acumulado sobre clima, conservação ambiental, monitoramento da cobertura vegetal e agricultura, associado às novas tecnologias de sensoriamento remoto, computação em nuvem e inteligência artificial, para obter dados confiáveis sobre uso e cobertura da terra.

No painel 3, comunicadores apresentaram os desafios na divulgação e análise dos dados gerados pela ciência para embasar políticas públicas consistentes. No painel 4, representantes do mercado financeiro expuseram como suas instituições utilizam ou poderiam utilizar essas bases de dados para realizar uma análise mais fundamentada de seus investimentos no campo.

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