Senadores buscam nome alternativo a Renan e Alcolumbre. Tasso e Otto são cotados

Suspensa ontem à noite a sessão do Senado, senadores contrários à eleição de Renan Calheiros (MDB-AL) para a presidência da Casa comemoravam a decisão do plenário de fazer eleição por votação aberta ao mesmo tempo em que buscavam um nome alternativo a Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Eles avaliavam que Alcolumbre se desgastou ao comandar a tumultuada sessão, que teve agressão verbal e até “sequestro” da ata. Mas, segundo eles, não fosse o senador do DEM, o plenário não teria decidido pela abertura da votação. Otto Alencar (PSD-BA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) eram os dois nomes mais lembrados para ser uma terceira via, afirmou ao Congresso em Foco o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos articuladores da candidatura de Alcolumbre.

A estratégia terá de passar por nova discussão neste sábado (2) depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, anulou a decisão dessa sexta e determinou que a votação seja secreta. Ordenou, ainda, que Alcolumbre ceda a cadeira da presidência para o senador mais idoso, José Maranhão (MDB-PB), de 85 anos, aliado de Renan.

“Ficou comprovado, pelos 50 votos a 2, que com votação aberta ele perde. Por isso querem subverter a decisão soberana dos senadores e das senadoras”, disse Randolfe ainda antes da intervenção de Toffoli.

Congresso em Foco – O voto aberto representa a derrota de Renan?
Randolfe Rodrigues –
Está configurado. Quero reiterar o apelo que fiz anteriormente. A melhor contribuição que o Renan poderia dar é sair da frente, é desistir. O senador está com sintonia antes de 7 de outubro de 2018. Ele tem de se sintonizar com 2 de fevereiro de 2019, que diz que temos um plenário mais sensível à pressão das redes sociais e das ruas. Sendo mais sensível, tem uma certa razoabilidade de que não é aceito nesse cenário o nome de Renan. Ficou comprovado, pelos 50 votos a 2, que com votação aberta ele perde. Por isso querem subverter a decisão soberana dos senadores e das senadoras.

Essa sessão não traz desgaste para a legislatura que começa?
Foi um espetáculo vexatório. Furtar ata de decisão do Senado, agredir o senador Tasso Jereissati por impropérios, isso é lamentável. Isso rebaixa o Senado. Vamos discutir uma resolução para esse impasse antes da sessão deste sábado. Voltamos às 11h, acho que volta sob a presidência de Davi e depois passa ao senador Maranhão, respeitando a decisão de hoje (1º).

Tem sentimento de que, por um lado, Renan se inviabilizou e, de outro, que Davi também se inviabilizou pela maneira com que conduziu a sessão e que o melhor caminho seria um terceiro nome...
É uma possibilidade não descartada. O primeiro que tem de sair da frente pra surgir um tertius é o senador Renan, mas ele não quer. Não sei quem poderia ser. Tem vários bons nomes. Tasso é um bom nome. Otto é outro bom nome. Temos vários bons nomes. E o próprio nome do senador Davi.

Não ficou ruim para a imagem dele comandar a sessão mesmo sendo candidato a presidente?
Ficou mais feia a cena para o grupo em torno do senador Renan. Ele estava muito determinado. Ele cumpriu papel fundamental para a República, em especial esse de enfrentar Renan, de não ceder a grito. Há uma minoria aqui que tem de entender que as coisas mudaram. A composição no Senado é nova, não sei se sou maioria nela. Mas a velha e carcomida maioria foi destituída. Eles têm de entender isso. Se não começasse presidindo, não teríamos decisão pelo voto aberto. A grande contribuição do plenário nessa sexta foi o voto aberto. Essa decisão entrará para a história.

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