PSL, Psol e Novo votaram juntos a favor do afastamento de deputado

Em posições opostas na maior parte dos debates no parlamento, o PSL e o Novo votaram junto com o Psol na análise da manutenção do afastamento do deputado Wilson Santiago (PTB-PB) nesta quarta-feira (5). Ele recebeu 233 votos a favor de sua permanência na casa, revertendo uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que o afastou das atividades do Legislativo.

> Governo quer explorar terras indígenas contra a vontade dos índios

Os três partidos, juntos com o Cidadania, foram as únicas siglas a orientar voto contra o relatório que manteve o deputado paraibano na Câmara. Dos 47 deputados do PSL presentes em plenário, 44 foram a favor do afastamento, enquanto dois votaram contra e um se absteve. Já no caso do Psol e do Novo, todos os deputados dos partidos presentes na sessão, nove e seis, respectivamente, votaram de acordo com a orientação da liderança.

No campo oposto, que votou a favor da permanência de Santiago, destacam-se partidos do Centrão, como o PP, MDB, Republicanos e Democratas, além do PT e do PCdoB. Dos 43 deputados do PT que estavam em plenário 38 votaram com o relator, assim como os sete congressistas do PCdoB.

'Cínicos' e 'oportunistas'

Apesar de terem votados juntos pelo afastamento, o deputado Ivan Valente (Psol-SP) não acredita que o PSL tenha seguido esse caminho por ser contra a corrupção. "O PSL é um partido cínico que tem milicianos, laranjas e corrupção dentro da família Bolsonaro, mas querem passar uma imagem contra corrupção", explica.

Assim como Valente, o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) desconfia das motivações dos parlamentares da sigla socialista. "O Psol votou juntamente com o PSL e com o Novo porque eles estão levantando agora uma bandeira de serem contrário a corrupção, mas é um partido podre em seus ideais", disse.

As semelhanças no pensamento das duas siglas, no entanto, é retomada quando os parlamentares vão explicar a orientação da bancada. Segundo eles, há indícios fortes contra Santiago, que justificam o afastamento.

Eles também concordam que, apesar disso, há um temor de que o Legislativo saia enfraquecido do episódio.

"Nós achamos que precisa mediar um pouco a interferência do Judiciário, mas nesse caso eram muito explícitos os indícios", explicou Valente.

"Embora eu tenha votado pelo afastamento, eu votei com um pouco de receio do enfraquecimento do poder legislativo na tomada de decisões", comentou Silveira.

Pés de Barro

O deputado Wilson Santiago é um dos investigados da operação Pés de Barro, da Polícia Federal, sobre superfaturamento em obras da adutora Capivara, no interior da Paraíba, que envolveriam crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e formação de organização criminosa.

Segundo a Polícia Federal, as obras foram contratadas por R$ 24,8 milhões e teria havido distribuição de propinas no valor de R$ 1,2 milhão. Na mesma operação, foi preso o prefeito de Uiraúna (PB), João Bosco Nonato Fernandes (PSDB).

Defesa

O advogado de defesa do deputado Wilson Santiago, Luis Henrique Machado, chamou de inconstitucional a decisão do ministro Celso de Mello, que afastou o parlamentar do mandato.

Machado afirmou que Santiago está sendo objeto de um “definhamento midiático” diante do levantamento do sigilo das investigações antes do acesso da defesa. “Só tivemos acesso no dia 28 de janeiro, tivemos agora o recesso, e os blogs da Paraíba estão dando notícia das decisões”, criticou.

> Dino ironiza ideia de Bolsonaro de zerar ICMS: “Só levo Guedes a sério”

> Bolsonaro exclui sociedade civil do Fundo Nacional do Meio Ambiente

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!