Pré-candidato a presidente, deputado promete curar colega tetraplégica

Acostumado a circular pela Câmara com uma bíblia debaixo do braço e a fazer orações na tribuna do plenário, o deputado Cabo Daciolo (Patriotas-RJ) utilizou o espaço, nessa quarta-feira (11), para profetizar a “cura”, segundo ele, da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), cadeirante há mais de 20 anos. Pré-candidato a presidente, Daciolo prometeu fazer com que a deputada, tetraplégica desde 1994, em razão de um grave acidente de automóvel, voltasse a andar.

“O que vou falar aqui vai parecer loucura para muitos, mas eu prefiro a loucura de Deus do que a sabedoria dos homens”, afirmou no começo do discurso. Ele contou que há dois anos ouve um pedido de Deus para conversar com a deputada. “Mas eu me acovardei e não pronunciei o que Deus estava mandando eu falar para ela. E Deus fez com que ela aparecesse no corredor. E ele me disse: fala com ela agora!”, prosseguiu.

Na quarta-feira da semana passada, Mara foi cumprimentada por um funcionário da Câmara com autismo por causa de um projeto sobre o assunto relatado por ela. O assessor contou à deputada que trabalhava no gabinete de Daciolo. Pouco depois, o parlamentar apareceu e Mara o parabenizou por ter contratado um autista. O deputado fluminense, então, a presenteou com uma bíblia e disse que aguardava, havia dois anos, para contar algo a ela. E que o faria em discurso no plenário.

A promessa foi cumprida nessa quarta-feira, uma semana depois. Com a mão sobre a bíblia, o deputado fez sua pregação: "Quero, diante de todos, profetizar a cura da deputada Mara. Creio que isso vai acontecer. Peço ao Deus das causas impossíveis que ele possa estender a mão dele e tocar na sua serva. Colocar as mãos sobre os enfermos e eles ficarão curados, diz a bíblia. Sei que estou diante de descrentes. Vou me dirigir a ela e pedir para orar. Em alguns minutos ela voltará a andar aqui nesse plenário”, disse.

Em sua cadeira de rodas, Mara Gabrilli assistiu à cena do fundo do plenário da Câmara. Por meio de sua assessoria, ela contou que não se sentiu constrangida com o episódio, apenas surpresa. Representante do Brasil no comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) para Pessoas com Deficiência, Mara disse que não viu qualquer gravidade nas declarações do colega e que respeita sua religiosidade. Tetraplégica desde 1994, a deputada voltou a sentir os braços há três anos, o que permitiu com que ela passasse a se locomover na cadeira de rodas sozinha. Para isso, ela ressalta, contou com a ajuda da ciência e de seu esforço físico. Há 24 anos faz duas horas de exercícios por dia.

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