Polícia Federal investiga atentado contra deputado do PSL

Celso Bejarano
Colaboração para o Congresso em Foco

Cinco tiros foram disparados contra o veículo que conduzia o deputado federal Loester Trutis (PSL-MS) e seu motorista, que seguiam de Campo Grande para Sidrolândia (MS), cidades distantes 74 quilômetros uma da outra, na manhã deste domingo (16). Um inquérito foi aberto pela Polícia Federal para apurar a origem do atentado. Ninguém se feriu. A PF tomou depoimento do motorista e do parlamentar e tenta localizar o veículo dos atiradores.

"O deputado conseguiu revidar o ataque. Apesar da emboscada, todos estão bem e sem ferimentos. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) fez a retirada do local e a Polícia Federal já está acompanhando o caso", diz o texto publicado em rede social do deputado.

Loester Trutis em discurso na Câmara. Foto: Ag. Câmara

A Polícia Federal informou que "tomou todas as medidas iniciais em relação ao caso e instaurou inquérito policial para efetivar as investigações. O parlamentar e seu motorista não foram atingidos pelos disparos e prestarem declarações buscando colaborar com o procedimento investigativo".

O Congresso em Foco tentou ouvir o deputado e assessores, mas não houve retorno.

Tio Trutis, como é conhecido no estado, é fiel aliado de Jair Bolsonaro (sem partido). Elegeu-se na onda bolsonarista dizendo que ia combater a corrupção e defender o direito das pessoas de andar armadas. Nas redes sociais, ele, com frequência, publica fotos suas segurando armas de fogo como pistola e de longa distância.

Integrante da bancada da bala, ele foi um dos parlamentares que viajaram até a sede da Taurus, no Rio Grande do Sul, com despesas bancadas pela Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (Aniam).

Recompensa de R$ 250 mil

Em seu perfil no Facebook, Trutis posa em campanha pró-armamento

O deputado também conduz uma campanha pela internet em que oferece R$ 250 mil a quem repassar a ele informações sobre os autores do atentado contra o presidente Bolsonaro, em setembro de 2018, em Juiz de Fora.

Para a PF, Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho, ou seja, não há mandante. Trutis, no entanto, não acredita na versão e diz que houve uma conspiração contra o presidente.

Dono de uma lanchonete, a Trutis Burger, o deputado lançou um sanduíche com o nome do presidente em comemoração ao aniversário de Bolsonaro em 2018. O consumidor podia comprar o Bolso Burger e levar para casa um adesivo do então candidato a presidente.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mato Grosso do Sul repudiou o atentado contra o deputado. “Não é a apenas contra o Poder Legislativo, mas contra a democracia e contra o estado democrático de direito", diz o texto. A OAB diz ainda que vai acompanhar a apuração do episódio e que cobrará uma "investigação rigorosa".

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