Partidos se reúnem com Bolsonaro, mas resistem a integrar base

O presidente Jair Bolsonaro recebeu nesta quinta-feira (4), desde as primeiras horas da manhã, presidentes de seis dos maiores partidos da Câmara dos Deputados (à exceção de seu próprio, o PSL) que não fazem oposição ao governo. O tom predominante entre os líderes partidários foi o de manifestar apoio (com ressalvas) à reforma da Previdência, de um lado, mas evitar falar em entrada permanente à base governista.

Pela manhã, Bolsonaro recebeu Marcos Pereira (presidente do PRB), Gilberto Kassab (PSD), Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Nogueira (PP). Em seguida, almoçou com o ACM Neto (DEM) e com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). À tarde, por fim, o presidente recebeu Romero Jucá (MDB). O principal tema dos encontros foi a reforma da Previdência.

O posicionamento das legendas sobre o tema é semelhante: reconhecem a necessidade de reforma e apoiam a proposta da equipe econômica do governo em termos gerais, mas se declaram contrários a mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é a assistência paga a idosos em situação de miserabilidade, e na aposentadoria rural.

Dentro dos partidos do centrão há, no entanto, apoios mais entusiasmados do que outros. O deputado Marcos Pereira (PRB-SP), por exemplo, informou a Bolsonaro que a bancada do partido na Câmara, com 31 integrantes, será liberada para votar como desejar. PSD e PSDB evitaram se manifestar nestes termos, mas também não deverão fechar questão a favor da reforma.

“Haverá um esforço intenso no sentido de mostrar aos parlamentares a importância das reformas para o Brasil”, disse o ex-ministro Gilberto Kassab, ao sair do encontro.

As mudanças no BPC e na aposentadoria rural já foram condenadas pelos líderes partidários na Câmara em uma carta assinada por 13 legendas. O próprio governo já admite que estas partes ficarão de fora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que vier a ser aprovada. O impacto fiscal pretendido pelo ministro Paulo Guedes com estes dois pontos pode ficar acima de R$ 150 bilhões nos próximos 10 anos. Os seis partidos com quem Bolsonaro dialogou têm, em conjunto, 196 deputados.

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