Oposição reage a desfile de tanques e prevê derrota da PEC do voto impresso

O presidente Jair Bolsonaro participará de um desfile de veículos blindados, incluindo tanques de guerra e lança-mísseis, pela Esplanada dos Ministérios, nesta terça-feira (10). O evento acontece no mesmo dia em que está prevista a votação da PEC do voto impresso colocada em pauta no plenário da Câmara mesmo após derrota na Comissão especial da Casa. Parlamentares opositores ao governo avaliam o evento como uma tentativa de intimidação ao Congresso e garantem derrota no projeto.

O desfile conta com a participação de militares da Marinha que saíram do Rio de Janeiro e devem traçar um percurso da Esplanada dos Ministérios e estacionar no Planalto. O evento acontece desde 1988, mas é primeira vez que passarão por Brasília.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) ingressou na Justiça Federal do Distrito Federal contra a manifestação. "É essencial enaltecer o papel institucional das Forças Armadas como instituições de Estado, que merecem total respeito e destaque", ressaltou Alessandro, "e que, exatamente por isso, não podem servir como fetiche para emprego ao bel prazer do governante atual, mais ainda quando este governante reiteradamente alardeia seu desapreço pela democracia."

O líder da oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), classificou o desfile como ameaça, por ocorrer no mesmo dia a apreciação do voto impresso em plenário. Ao Congresso em Foco, Molon disse que essa é a maior afronta à democracia desde a redemocratização da década de 80.

"Colocar tanques para tentar intimidar o Congresso Nacional a aprovar a PEC do voto impresso é inteiramente inaceitável. A Câmara dos Deputados tem a obrigação com a constituição, com a democracia e com o país de impor uma derrota fragorosa à PEC do voto impresso no dia de amanhã (10)", afirmou.

O deputado David Miranda (Psol-RJ) também considerou o evento como tentativa de intimidação com golpe. “Bolsonaro está tentando nos intimidar com ameaças de golpe. A única forma eficaz de parar Bolsonaro é com fortes mobilizações do povo na rua. Quem sabe assim o congresso nacional reflita sobre a necessidade imediata de impeachment deste golpista", disse ao Congresso em Foco. Miranda também afirmou que o partido entrou com um mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar o evento.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM) disse que, se o desfile é uma ameaça, o governo irá aprender uma lição. Segundo ele, "um parlamento independente e ciente das suas responsabilidades constitucionais é mais forte que tanques nas ruas".

A deputada Talíria Perone (PSOL-RJ), líder da sigla na Câmara, classificou o evento como desespero do governo.

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) reagiu sobre o desfile e o categorizou como "satisfação à índole autoritária" do governo.

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