Oposição consegue assinaturas para prorrogar a CPI mista das Fake News

Os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI mista) das Fake News deverão ser prorrogados até o final de outubro. Congressistas conseguiram mais do que o mínimo exigido de assinaturas para adiar o fim dos trabalhos investigativos por mais 180 dias. Para passar a valer, é necessário que o documento seja lido em Plenário.

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"Nós colhemos mais que mínimo de assinaturas tanto no Senado, quanto na Câmara. O pedido de prorrogação deve ser lido pela mesa diretora", disse Natália Bonavides (PT-RN) ao Congresso em Foco.

O governo, porém, tem aplicado manobras para impedir a leitura deste documento, que já estava pronto para ser lido na sessão desta quarta-feira (11). "O documento deve ser lido na semana que vem, até lá o governo vai tentar atuar para impedir a prorrogação, mas com o tanto de assinaturas que nós conseguimos, nós acreditamos que vai ser feito a leitura e a CPMI vai ser sim prorrogada", declarou Bonavides.

Para a deputada, o prolongamento dos trabalhos da CPI mista é necessário, pois os congressistas tiveram acesso somente agora a documentos que pediram há meses. "Houve um amplo entendimento aqui no Congresso de que a CPMI precisa ter os trabalhos prorrogados, afinal, agora que nós temos recebido documentos que nós tínhamos pedido desde o ano passado e esses documentos estão sendo fundamentais para os trabalhos da CPMI,  vide o caso recente divulgado de que o gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro é um dos locais de onde saem esses ataques com notícias falsas e com discurso de ódio", declarou.

O caso citado por Natália, se refere a página Bolsofeios, que foi criada por um assessor do filho do presidente da República, de dentro do gabinete. A comissão está com documentos sigilosos enviados pelo Facebook que, em grande parte, têm potencial de implicar a família Bolsonaro no disparo de notícias falsas e de mensagens de ódio.

Congresso em Foco acessou um dos documentos enviados pelo Facebook que demonstra quais foram os dados enviados para a comissão investigativa. Além da página do Facebook Bolsofeios, estão na mira as páginas: Snapnaro, Presidente Bolsonaro Br e Conservador Liberal.  Tanto Bolsofeios, quanto a página Snapnaro, foram retiradas do ar.

Também foi levantado o sigilo em relação ao grupo denominado de "Secreto 2 GO", onde, segundo denúncias, são discutidas as estratégias de ataques virtuais à opositores do presidente e de seus filhos.

Foi fornecido pelo Facebook, o nome de todos os grupos de mensagens dos perfis do Instagram: snapnaro, bolsofeios, presidentebolsonarobr e conservarorliberal. Destes, o Facebook forneceu a data de criação, perfil do criador e perfil de todos os participantes do grupo.

Os documentos fornecidos pela rede social para a CPI mista estão sob sigilo, mas uma fonte que teve acesso aos documentos afirmou ao Congresso em Foco que tem "muito mais coisa com poder de implicar muito mais gente". Além destes documentos, Natália ressalta que outros foram solicitados. "Há mais documentação para chegar que já está solicitada e nós precisamos desse tempo para fazer essa análise e ter no final desse inquérito um relatório que tenha conclusões consistentes", disse.

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