Ministro vai ao Senado explicar vídeo de exaltação ao golpe de 1964 divulgado pelo Planalto

O Senado marcou para o dia 16 de maio uma audiência em que o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, dará explicações sobre um vídeo distribuído pelo Planalto que exalta o golpe de 1964 e a ditadura militar. Santos Cruz, que já confirmou presença, falará na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC) da Casa.

O vídeo foi divulgado no dia 31 de março (data lembrada como início do regime militar) pela Secretaria de Comunicação da Presidência, por meio de um grupo do Whatsapp voltado para jornalistas. O governo, no entanto, não reconheceu oficialmente a iniciativa de divulgar a peça, que também foi publicada em redes sociais por governistas como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) havia pedido a convocação do ministro, o que implicaria na obrigação em comparecer. Por meio de um acordo com a assessoria da pasta, porém, a convocação foi transformada em convite e Santos Cruz confirmou presença para o dia 16 de maio às 10h.

Os senadores querem saber quem autorizou o uso dos meios oficiais para postagem do vídeo. Três dias após a divulgação, o Congresso em Foco revelou que Osmar Stabile, um empresário paulista eleitor declarado do presidente Jair Bolsonaro, assumiu ter produzido o vídeo informou, em nota, que classifica o 31 de março como um "contragolpe preventivo".

Mesmo após a informação vir à tona, no entanto, o Planalto se recusou a informar quem autorizou seu envio ao grupo. O vice-presidente Hamilton Mourão chegou a atribuir a divulgação a Bolsonaro (Mourão recuaria um dia depois, dizendo que o presidente não sabia do vídeo). Horas antes de o empresário assumir a autoria do material, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, havia se recusado a comentar o assunto e deu a discussão por encerrada.

"O fato [a divulgação do vídeo] não foi um fato simplório. O fato é de tamanha gravidade que merece a população brasileira uma resposta, e uma resposta fundamentada, plausível, porque estão rasgando a História e os livros de História, querendo negar a ditadura, que só as famílias que sofreram, mortas, torturadas e desaparecidas é que sabem", disse na última terça o senador Fabiano Contarato (Rede-ES).

>> Empresário bolsonarista que assumiu autoria de vídeo exaltando ditadura chama 31 de março de 1964 de "contragolpe preventivo"

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