MDB e DEM apoiam decisão de Alcolumbre de suspender reuniões de líderes

Os líderes no Senado do MDB, Eduardo Braga (AM), e do DEM, Rodrigo Pacheco (MG), apoiaram a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de suspender por tempo indeterminado a reunião de líderes como critério para definir as pautas da Casa Legislativa.

Já o senador Major Olímpio (SP), líder do PSL, repudiou o ato de Alcolumbre.

Ao chegar na Câmara Alta nesta terça-feira (24), Alcolumbre demonstrou insatisfação com a diferença entre o que era acordado com os líderes partidários e o que acontecia na prática nas votações do Plenário do Senado.

"Essa semana foi cancelada a reunião do colégio de líderes e a presidência vai estabelecer outro critério para definição de pauta. Os líderes infelizmente falam uma coisa e quando chega no Plenário a gente não consegue ter o êxito do acordo estabelecido", disse o senador do Amapá.

E completou: "eu fiz uma avaliação em relação a todos os episódios do primeiro semestre em relação a  algumas lideranças na reunião do colégio de líderes e outra postura no Plenário do Senado e eu vou estabelecer outro critério da formatação da pauta do Senado a partir da semana que vem".

Rodrigo Pacheco, que representa os senadores do DEM, disse: "é uma prerrogativa dele [Alcolumbre].
Confio na sua decisão".

A opinião é compartilhada pelo senador Eduardo Braga, líder do MDB.

"A presidência é quem convoca a reunião de líderes. Portanto ela tem a competência regimental de elaborar a pauta, por decisão do Davi ele estabeleceu as reuniões de líderes. A suspensão também é uma decisão temporária ou permanente da presidência".

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), divergiu de seus colegas e criticou o presidente do Senado. "Lamentável. Nós votamos nele para ter um novo momento na história do Senado, mas parece que o presidente resolveu adotar o estilo dos seus antecessores que tanto ele dizia combater"

Muda Senado

A decisão de Alcolumbre tem como pano de fundo a insatisfação dele com o grupo de senadores chamado Muda Senado, que tem como uma das principais pautas a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar membros de tribunais superiores, chamada de Lava Toga.

Esses senadores o ajudaram a se eleger para o comando da Casa contra Renan Calheiros (MDB-AL).

No dia 11 de setembro, o Congresso em Foco ouviu uma fonte próxima de Alcolumbre que externou a irritação do senador do Amapá com o Muda Senado.  Na época havia receio que o grupo atrapalhasse o andamento de reformas econômicas como o projeto de lei que muda o regime geral das empresas telefônicas.

“As pessoas falam que o Davi está chegando e mandando tirar assinatura [da CPI da Lava Toga]. Estão vendendo um pacote meio inviável e o Davi não vai fazer parte desse pacote”, disse.

O presidente do Senado é acusado por senadores que o ajudaram a se eleger de boicotar o pedido de criação de CPI para investigar ministros de tribunais superiores. “Não conte com o Davi para maluquice. Essa pauta econômica, que é muito cara a Davi, está andando”, complementa a fonte do entorno do político do DEM.

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