Maia tenta apagar incêndio com a China causado por Eduardo Bolsonaro

Coube uma vez mais ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o papel de bombeiro de incêndio criado pela família Bolsonaro. Por volta da meia-noite, Maia foi ao Twitter pedir desculpas publicamente ao governo chinês por ataques feitos ao país pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República. "Em nome da Câmara dos Deputados, peço desculpas à China e ao embaixador Yang Wanming pelas palavras irrefletidas do deputado Eduardo Bolsonaro", escreveu Maia.

>Panelaço contra Bolsonaro dura mais de uma hora; veja os vídeos

Nessa quarta, Eduardo responsabilizou o maior parceiro comercial do Brasil pela pandemia do coronavírus. "A atitude não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia. Em nome de meus colegas, reitero os laços de fraternidade entre nossos dois países. Torço para que, em breve, possamos sair da atual crise ainda mais fortes", afirmou o presidente da Câmara.

Reposta da embaixada ao comentário de Eduardo

A Embaixada da China no Brasil reagiu de maneira dura aos ataques feitos pelo filho do presidente Jair Bolsonaro e disse que o episódio terá consequência na relação entre os dois países. "As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos", escreveu o perfil oficial da embaixada.

O embaixador Yang Wanming usou sua conta pessoal para cobrar de Eduardo que "retire suas palavras imediatamente" e peça desculpas ao povo chinês. Adiantou, ainda, que vai manifestar sua indignação junto ao Itamaraty e à Câmara dos Deputados.

A China puxou o resultado do superávit brasileiro este 2019. Entre janeiro e outubro do ano passado, o saldo da balança comercial foi de US$ 34,9 bilhões. Desse total, US$ 21,4 bilhões vieram de negócios com chineses, conforme o Indicador do Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Ontem pela manhã Eduardo fez uma analogia entre a disseminação do coronavírus e o vazamento da usina nuclear soviética de Chernobyl nos anos 80. Ele disse que o governo chinês preferiu "esconder algo grave" a se expor "tendo um desgaste que salvaria inúmeras vidas". Depois ele retuitou um texto que diz que “a culpa pela pandemia de Coronavírus no mundo tem nome e sobrenome. É do Partido Comunista Chinês”.

Os comentários que irritaram os chineses:

>As últimas notícias sobre a pandemia de covid-19 no Brasil

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!