Maia quer manter Câmara funcionando, mesmo com quórum mais baixo

Após criticar a atitude do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em comparecer às manifestações e desrespeitar medidas de segurança sanitária, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, falou em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, que o importante é estar unido e pensar daqui para frente em soluções para se enfrentar a crise do coronavírus. Maia afirmou que o Congresso vai continuar funcionando para aprovar medidas encaminhadas pelo executivo e dar estrutura necessária para o combate a crise sanitária, mesmo com o quórum baixo.

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"Nós estamos vendo o que está acontecendo na Europa, o que aconteceu na China, que começa a acontecer nos Estados Unidos e o que pode acontecer no Brasil. Então neste momento independente do que aconteceu de hoje para atrás, nós precisamos estar unidos para reduzir o impacto da chegada do coronavírus no Brasil", afirmou Maia.

Segundo ele, o parlamento tem que estar pronto para votar mesmo sem a presença dos 500 ou 400 deputados no Plenário.

Quando questionado sobre as reformas econômicas, Maia defendeu que todas estão caminhado dentro do seu cronograma e que a reforma tributária deverá ser votada em maio. "Acredito que esse cronograma possa ser mantido, acredito que até este momento a gente possa ter uma situação de mais normalidade no plenário da Câmara e do Senado", afirmou.

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O presidente da Câmara defendeu na entrevista que o parlamento vai continuar funcionando em diálogo com o governo e que deve ir a Plenário somente aqueles textos organizados e com acordo feito previamente entre os líderes, e assim, "mostra para sociedade que o parlamento, o poder Executivo e o poder Judiciário continuam funcionando com as instruções colocadas pelo Ministério da Saúde, mas continua trabalhando e cumprindo o seu papel que é fundamental principalmente neste momento de crise", afirma.

"Essa crise pode ser tão grande, que não estamos aqui discutindo o orçamento, a execução do orçamento impositivo, os recursos que o parlamento colocou além do orçamento inteiro, nós não tiramos nenhum real do orçamento do governo, mas acho que essa discussão ficou menor, certamente o governo vai ter que gastar na saúde valores muitos maiores do que os R$ 5 bilhões da MP da semana passada", alertou Maia.

"É irrelevante [a discussão do orçamento impositivo neste momento] nós queremos que o governo tenha todas as condições, que o ministro Mandetta, prefeitos e governadores tenham todas as condições para enfrentar essa crise", explica o presidente da Câmara, pontuando também que o mais importante é pensar em maneiras de diminuir os impactos gerados na economia que deve desacelerar aos empregos e aos trabalhadores, e assim, pensar em soluções também no âmbito social.

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