Deputado pede convocação de novo ministro da educação

O deputado professor Israel Batista (PV-DF) elaborou um pedido de convocação do novo ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, que tomou posse nesta quinta-feira (16), para uma sabatina na Câmara dos Deputados. O requerimento está em fase de recolhimento de assinaturas.

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Para o autor do pedido, a necessidade de convocação do novo ministro acontece pela falta de coordenação de ministros anteriores. O objetivo do encontro com o novo ministro, segundo o parlamentar, é cobrar planejamento estratégico e acompanhar de perto as decisões da pasta.

“Nossa intenção não é intimidar ou fechar o cerco, mas abrir o diálogo e ter a certeza de que as pautas do MEC serão baseadas em mais ação e menos discursos ideológicos que só geram curtidas nas redes e nada resolvem. Momento importante também para que ele ouça o que os parlamentares da educação consideram como medidas prioritárias”, afirma o deputado.

Ribeiro é o quarto ministro da Educação em 18 meses de governo Bolsonaro. Ele assume a cadeira depois da saída conturbada do professor Carlos Alberto Decotelli, que foi nomeado mas não chegou a tomar posse e acabou deixando o posto apenas cinco dias depois de ter o nome anunciado pelo presidente. Antes dele, o cargo foi ocupado por Abraham Weintraub e Ricardo Velez Rodriguez.

Os deputados Tabata Amaral (PDT-SP), Alessandro Molon (PSB-RJ) e Zé Silva (Solidariedade-MG) apoiam o requerimento de convocação do novo ministro.

Declarações polêmicas

Em outra frente, os deputados querem ouvir o ministro sobre declarações polêmicas proferidas por ele a respeito de crianças, mulheres e sexualidade. Em vídeos de pregação religiosa, Milton, que é pastor presbiteriano, defendeu o castigo físico como uma forma de pais educarem os filhos, disse que universidades “ensinam sexo sem medida” e que o homem deve ser o líder em casa.

Em uma pregação de 2016, Milton Ribeiro diz que “um tapa de um homem ou uma cintada de uma mulher podem ser muito mais fortes que uma criança pode suportar”. “Não estou aqui dando uma aula de espancamento infantil, mas a vara da disciplina não pode ser afastada da nossa casa”, acrescentou. Para ele, as crianças devem sentir dor para entender. “Talvez uma porcentagem de crianças muito pequenas, de criança precoce, superdotada, é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, desculpe, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: devem sentir dor”.

O pastor também afirmou que as universidades estimulam a “prática sexual sem limites”. “Depois daquilo que chamam de revolução sexual dos anos 60, com a chegada da pílula e de uma liberdade maior nessa área sexual, o mundo perdeu a referência do que é certo e do que é errado em termos de conduta sexual”, acrescentou.

Em outra gravação, o novo ministro da Educação defende que o homem deve apontar os rumos da família. Do contrário, ela será atacada por inimigos. “Quando o pai é ausente dentro da casa, o inimigo ataca. Quando o pai não impõe —impõe, essa é a palavra, me desculpe, é a palavra usada— a direção que a família vai tomar… Não é que ele é o mandatário que sabe tudo, não. Mas ele, o pai, o homem, dentro da casa, segundo a Bíblia é o cabeça do lar, ele aponta o caminho que a família vai tomar”, afirmou.

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