Wizard foge das perguntas da CPI e adota silêncio como estratégia

A CPI da Covid recebeu nesta quarta-feira (30) o empresário Carlos Wizard, que por mais de uma vez tentou driblar a oitiva no Senado. Com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), Wizard se negou a responder praticamente todas as perguntas, adotando o silêncio como estratégia. Essa postura irritou os deputados de oposição que cogitaram entra com um recurso para derrubar a decisão do Supremo. 

Aliado  presidente Jair Bolsonaro e defensor de remédios sem eficácia durante a pandemia de covid-19, o empresário chegou a falar em uma live que as pessoas que morreram pela doença foram as que "ficaram em casa" e "não procuraram o tratamento precoce". Esse vídeo foi insistentemente repetido na CPI. 

Wizard, em contrapartida, encabeçou um movimento para que a iniciativa privada pudesse comprar e aplicar vacinas de forma alheia ao cronograma do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele foi vacinado nos Estados Unidos, onde vive. 

Em sua fala inicial, Wizard justificou a presença na CPI por acompanhar a filha grávida que está nos Estados Unidos. O empresário também declamou passagens bíblicas e negou participar do grupo de aconselhamento do presidente durante a pandemia.

"Jamais tomei conhecimento de gabinete paralelo, jamais fui convidado, abordado, convidado, para participar de qualquer gabinete paralelo", disse o empresário em sua fala inicial. Wizard disse ainda que nunca esteve em reuniões privadas com Jair Bolsonaro.

Após sua fala, o empresário afirmou que permaneceria em silêncio durante a oitiva. Wizard obteve do Supremo Tribunal Federal (STF) habeas corpus que lhe dá direito a não responder às perguntas dos senadores.

Omar Aziz pediu recurso ao STF para que o ministro Luiz Roberto Barroso revisse a decisão que permitia o silêncio do empresário. A senadora Simone Tebet sugeriu que a comissão votasse um ofício para que Wizard passasse da condição de testemunha para convidado.

Senadores também criticaram a postura de Wizard ao não comparecer na CPI:

O clima da CPI esquentou quando o senador Otto Alencar se referiu ao advogado Alberto Zacarias Toron, de Wizard, dizendo: "Seu advogado tá muito bronzeado, laranja, e o senhor amarelou." O advogado se rebateu afirmando que o senador é "covarde". Otto chegou a chamar a polícia legislativa para retirá-lo da reunião. Os demais senadores tentaram acalmar os ânimos.

"Tudo não passou de um grande engano e vossa excelência não é um homem covarde", disse Alberto Zacarias Toron.

Defesa do governo 

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), usou o tempo de fala para rebater as acusações de que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde teria cobrado propina de US$ 1 por dose comprada pela pasta de uma empresa, como acusou reportagem da 'Folha de S. Paulo' nesta terça-feira (29). O senador encampou o argumento de que Roberto Dias, o ex-diretor, foi conduzido ao cargo pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.

"É importante ressaltar que o próprio ex-ministro Mandetta afirmou que a indicação de Roberto foi deita no início do governo, num esforço do então ministro da saúde para tirar de áreas sensíveis da pasta indicados do PP, e que tal indicação do senhor Roberto tinha natureza eminentemente técnica", disse.

O senador declarou, ainda, que a AztraZeneca não tinha intermediários no Brasil e todas as vacinas são feitas por acordos do governo direto com instituições multilaterias. "Importante destacar ainda que a AstraZeneca, por meio de nota à imprensa, informou não ter intermediários no Brasil, e que todas as doses de vacina do laboratório estão disponíveis por meio de acordos firmados por governos e organizações multilaterais."

Bezerra acrescentou que Ricardo Barros se dispôs a comparecer à CPI para prestar os esclarecimentos necessários. Ele citou, ainda, uma notícia-crime enviada à Procuradoria-Geral da República contra Bolsonaro e que foi interrompida por falta de elementos, conforme ele diz, para prosseguir.

EUA 

Wizard desembarcou dos Estados Unidos no Brasil no último domingo (27) e seguiu para a sede da Polícia Federal no aeroporto de Viracopos, em Campinas, para entregar o passaporte. Por não ter comparecido à primeira convocação feita pela CPI, no dia 17 de junho, os senadores solicitaram a condução coercitiva do empresário. 

Wizard chegou a pedir para ser ouvido  de forma remota, mas o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM) rejeitou. O empresário teve os seus sigilos telefônico, telemático e bancário quebrados pela comissão.

Em seu depoimento na CPI da Covid, o ex-ministro da pasta, Eduardo Pazuello, disse que recebia conselhos do empresário. 

Requerimentos

Após intensa discussão entre senadores da base aliada do governo e o presidente da comissão, Omar Aziz, o colegiado aprovou em bloco uma série de requerimentos apresentados à CPI. Os pedidos foram votados à revelia de Marcos Rogério e Luis Carlos Heinze.

As próximas oitivas foram agendadas de acordo com as denúncias de esquema na compra de vacinas.

Quinta-feira (1º) - Representante da empresa Precisa, Francisco Emerson Maximiano

Sexta-feira (2) - Luiz Paulo Dominguetti, da Davati Medical Supply

Já na semana que vem, a CPI ouve:

Terça-feira (6) - Deputado Luis Miranda

Quarta-feira (7) - o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias Ferreira

Quinta-feira (8) - o deputado Ricardo Barros


> CPI ouvirá na sexta vendedor que acusou propina de US$ 1 por dose

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