Senadores se dividem nas investigações da CPI para fechar relatório a tempo

Na reta final dos trabalhos, o grupo formado pelos senadores oposicionistas que integram a CPI da Covid se dividiu em frentes específicas de investigação para dar conta de aprofundar as análises de cada um dos temas já levantados ao longo dos depoimentos. Nesta quinta-feira (19), o depoimento do CEO da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, deve se juntar ao pouco proveitoso depoimento do advogado da empresa, Túlio Silveira, prestado nessa quarta-feira (18). Ele será ouvido sobre as ações da empresa, acusada de se valer de um balcão de negócios montado no Ministério da Saúde.

A Precisa tentou intermediar a venda da vacina indiana Covaxin. Ao longo da CPI, foram levantados fortes indícios de irregularidades e superfaturamento nos processos. A partir do caso da Covaxin, denunciado pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele, Luis Ricardo, funcionário do Ministério da Saúde, surgiram outros relatos de atravessadores. "Eu sou daquelas que acham que temos que chamar os personagens centrais da Covaxin, e a partir daí se abrir um leque para as outras", disse a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

Os senadores Simone Tebet (MDB-MS), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Humberto Costa (PT-PE) querem se debruçar sobre o papel dos atravessadores em irregularidades.

De acordo com o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), as outras frentes que devem ser exploradas até o fim dos trabalhos da CPI são:

  • Atuação do Fib Bank: a empresa é acusada de garantir a operação de compras da vacina da Covaxin, apesar de apenas emitir cartas-fiança. A Fib Bank não possui autorização do Banco Central para gerar a apólice de garantia
  • Contratos nos hospitais federais do Rio de Janeiro
  • Atuações da empresa VTCLog, empresa responsável pelo transporte de vacinas

As investigações da VTC Log estão sob responsabilidade da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) e do senador Alessandro Vieira. Ao contrário do caso da Precisa, que reúne, segundo os senadores, vários indícios de crimes, o da VTC Log aponta para um esquema refinado , que "indicaria décadas de experiência"  em licitações fraudulentas.

O volume de informações resultantes das quebras de sigilos, recebidas pelos senadores, também é inferior ao da Precisa, o que pode diminuir o escopo da acusação contra a empresa.

Segundo Randolfe, os trabalhos devem ser concluídos entre 15 e 25 de setembro. Uma nova oitiva do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), está descartada, assim como também foi descartada a oitiva entre Luis Miranda e o ministro do Trabalho Onyx Lorenzoni, pois os parlamentares entenderam que, em ambos os casos, haveria tumulto capaz de desvirtuar a atenção das investigações em curso. "Eu acho que teremos de duas a três semanas, se necessário quatro, para os depoimentos. E, em seguida a isso, mais uma semana para o relator produzir o relatório", afirmou o vice-presidente da comissão.


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