Pazuello diz que apenas cumprimentou empresários e vídeo foi ideia da assessoria

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negou ter negociado a aquisição de vacinas com empresários. Na última sexta (16), veio à público a denúncia de que ele participou de uma reunião com uma atravessadora para aquisição da vacina Coronavac por um preço três vezes mais alto do que o ofertado pelo Instituto Butantan, produtor do imunizante. Por nota, Pazuello disse que "foi a sala unicamente cumprimentar os representantes da empresa" e que o vídeo foi sugerido pela assessoria de comunicação dele.

A informação foi apresentada pelo Folha de S. Paulo. A nota com o posicionamento de Pazuello foi distribuída pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência que também informou que o ex-ministro havia encaminhado uma notificação extrajudicial requerendo direito de resposta ao jornal.

Na resposta apresentada, Eduardo Pazuello afirma que a reunião ocorreu após pedido formal encaminhado pela empresa World Brands Distribuidora S/A ao Ministério da Saúde.

"Diante da importância temática, determinei à Secretaria Executiva do Ministério da Saúde que fizesse uma pré-sondagem acerca da proposta a ser ofertada pela World Brands Distribuidora S.A.", escreveu em um dos trechos.

Em seguida, acrescentou:

"Ante a importância temática, uma Equipe do Ministério da Saúde os atendeu e este então Ministro de Estado - que detém o papel institucional de representar o Ministério da Saúde - foi até a sala unicamente para cumprimentar os representantes da Empresa, após o término da reunião. A Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde então sugeriu que fosse realizada a gravação de um pequeno vídeo de memória."

O apresentado pela empresa para cada dose da Coronavac foi de US$ 30 dólares por dose (R$ 167,40). Isso é quase o triplo dos US$ 10 pagos pela pasta dois meses antes ao Butantan.

No vídeo veiculado pela Folha, um representante da empresa fala que outras parcerias poderiam ocorrer. O governo, no entanto, não foi à frente com a negociação.

A ação do general-ministro contradiz diretamente a fala dele à CPI da Covid. Em 19 de maio Pazuello negou ter participado, pessoalmente, de negociações para compra de vacinas junto a empresas. "Eu sou o dirigente máximo, eu sou o decisor, eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo, não o ministro", respondeu Pazuello ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI. "Se um ministro...jamais deve receber uma empresa, o senhor deveria saber disso."

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