Médicos defendem tratamento ineficaz contra covid na CPI

A CPI da Covid ouviu nesta sexta-feira (18) os médicos Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Eduardo Cardoso Alves, que defendem tratamentos com medicamentos comprovadamente ineficazes para a doença, como a cloroquina.

Requerimentos serão votados na próxima terça-feira (22). Ontem (17), o presidente do colegiado, Omar Aziz, pediu a condução coercitiva de Carlos Wizard pelo não comparecimento no depoimento à CPI. A defesa do empresário havia pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de não comparecer ou de prestar o depoimento por videoconferência, mas foi concedido apenas o direito de ficar calado sobre assuntos que o incriminassem. Wizard está nos Estados Unidos.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou requerimento para comparecimento de representantes de redes sociais Google e Facebook para prestar esclarecimentos sobre conteúdo divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro nas plataformas.

Membros do colegiado levantaram o sigilo de quase dois mil documentos entregues à comissão e pediram ajuda da imprensa e da sociedade civil para poder organizar e verificar as denúncias. De acordo com Randolfe, o levantamento do sigilo é para dar ainda mais clareza aos trabalhos da CPI.

Segundo os senadores, os documentos mostram que houve enriquecimento de laboratórios produtores de medicamentos do chamado"kit covid" e direcionamento de verbas federais para propaganda desses fármacos.

Randolfe citou ainda que a investigação abrange indícios de homicídio, omissão do governo federal, desvio de função, de verbas e criação de ministério paralelo.

"Existiu um gabinete paralelo, só que a CPI entrou em uma terceira fase. Pensávamos que era somente negacionismo, mas estamos descobrindo que houve um cumpliciamento entre agentes privados e públicos para favorecimento de empresas", apontou Randolfe.

Abandono da oposição 

Durante a oitiva, os senadores de oposição que compõem a comissão deixaram o plenário onde os médicos infectologistas Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Eduardo Cardoso Alves, defensores do tratamento precoce.

O relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), se recusou a fazer perguntas. "Eu me recuso a fazer hoje qualquer pergunta aos depoentes. A CPI tem papel de dissuadir práticas criminosas, como as do presidente da República. Chega. Precisamos dar um basta nisso", disse.

Contra o 'kit covid'

Em depoimento, o médico Francisco Eduardo Cardoso Alves, afirmou ser “absolutamente contra” o uso dos medicamentos preventivos do kit covid, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

“Quem defende a medicina não pode defender o autotratamento ou kit covid”, disse.

De acordo com ele, o tratamento da doença deve ser acompanhado por um médico. Também diz desconhecer o termo do kit, pois não o faz uso disso em sua clínica. O médico também criticou a polarização acerca dos tratamentos direcionados pelos profissionais da saúde.

"Ainda há um mix de preconceitos concebidos, risco de desconhecimento ou insistência no erro" completou.

Cardoso Alves defendeu o uso de outros medicamentos e disse que a "vacina não pode ser a única estratégia usada".

Os médicos também foram questionados sobre o estudo no estado do Amazonas, utilizando cloroquina e levou a óbito 11 pessoas. Segundo eles, as doses usadas no estudo foram muito mais altas do que as recomendadas. Para investigação do estudo foi aberto um inquérito pelo Ministério Público Federal em abril deste ano.

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