Coronavírus: deputados ignoram recomendações e participam de aglomerações

Frente à disseminação do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, o Ministério da Saúde divulgou na última sexta-feira (13) orientações para evitar os danos causados pelo vírus. Conforme a pasta, evitar aglomerações é uma das medidas preventivas para diminuir o contágio da doença. O Ministério é enfático: sem a adoção das recomendações, o número de casos do coronavírus pode dobrar a cada três dias.

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A partir de um levantamento inicial da agência Livre.jor, do Paraná, o Congresso em Foco apurou que desde o anúncio das medidas, diversos deputados federais desconsideraram o alerta do Ministério de “evitar aglomerações”. Os políticos participaram de eventos que reuniram grande número de participantes ou entraram em contato com um número significativo de pessoas - tudo registrado nas redes sociais.

Apenas no último domingo (15), ao menos cinco deputados alinhados ao presidente Jair Bolsonaro participaram das manifestações pró-governo, que também clamava pelo fechamento do Congresso e críticas ao Supremo Tribunal de Justiça (STF).

A deputada Bia Kicis (PSL-DF) compareceu às manifestações na capital brasiliense, mesmo após o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, ter decretado a suspensão por cinco dias de aglomerações com mais de cem pessoas devido ao risco do novo coronavírus.

O deputado Filipe Barros (PSL-PR) demonstrou apoio a Bolsonaro participando do ato em Londrina, no Paraná. Durante parte da manifestação, o parlamentar ficou em cima do carro de som. 

 

A deputada Caroline de Toni (PSL-SC) e o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) participaram das manifestações na capital paulista e tiraram fotos com os apoiadores de Bolsonaro que também estavam no local. Nesta terça (17) o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, decretou situação de emergência na cidade em decorrência do alto número de casos confirmados do coronavírus. 

 

 

O deputado Marco Feliciano (Podemos-SP), que possui relações estreitas com Bolsonaro, além de participar dos atos de domingo, o deputado, que também é pastor evangélico, continua ministrando os cultos religiosos. Neste domingo (15) ele participou da pregação na Assembleia de Deus em Orlândia, cidade natal do deputado. 

Em algumas cidades brasileiras, as atividades religiosas foram suspensas devido ao grande número de fiéis reunidos em um mesmo local. Em São Paulo, por exemplo, a Justiça aceitou um pedido do Ministério Público e determinou, no último sábado (14), a suspensão por 30 dias de missas e eventos no Santuário Nacional de Aparecida. 

No Paraná, o deputado Boca Aberta (Pros-PR) visitou a Feira do Cincão, em Londrina. No vídeo gravado e publicado nas redes sociais do deputado, ele aparece distribuindo abraços e apertos de mão entre os feirantes e cidadãos locais. 

Também no domingo, o deputado Enio Verri (PT- PR) participou da prestação de contas do mandato do vereador Mário Verri, seu irmão, em Maringá. As fotos da reunião publicadas pelo deputado mostram um auditório semi-lotado.

Em Anicuns, o deputado Adriano do Baldy (PP-GO) participou de uma reunião política com lideranças, vereadores e o prefeito da cidade, Zé da Ferragista.

 

Já a deputada Magda Mofatto (PL-GO) participou de uma festa comemorativa em Caldas Novas.

Os deputados Alexandre Frota (PSDB-SP), Reinhold Stephanes Junior (PSD-PR), Luisa Canziani (PTB-PR),  Christiane Yared (PL-PR) também realizaram saídas externas. O contato corpo a corpo nas ruas é uma prática comum entre os políticos para se aproximarem do eleitorado. Entretanto, com o novo vírus em circulação no país essa prática acaba expondo a saúde dos próprios políticos e das pessoas com quem eles entram em contato. Além de ir contra as recomendações do Ministério.

 

 

 

O site da Câmara informa que a Casa recebe em média 18 mil pessoas por dia, incluindo parlamentares, funcionários, visitantes e representantes de grupos organizados. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que o Congresso vai continuar funcionando, mas que medidas administrativas foram adotadas para prevenir a propagação do coronavírus. Desde a última sexta, parlamentares e servidores acima de 60 anos,  gestantes e quem tenha realizado recentes intervenções cirúrgicas ou estejam realizando tratamento de saúde que cause diminuição da imunidade estão isentos de qualquer tipo de sanção administrativa por falta. 

A circulação dentro da Casa passou a ser restrita. Agora, apenas servidores, terceirizados, profissionais de veículos de imprensa, assessores de entidades e órgãos públicos, representantes de instituições de âmbito nacional, estagiários, menores aprendizes e empregados que prestam serviços têm acesso ao edifício.

Também foram suspensos sessões solenes, eventos de lideranças partidárias e de frentes parlamentares, visitas institucionais e outros programas patrocinados pelas Casas. Além de viagens em missão oficial de parlamentares.

O deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), com 46 anos de idade, é o primeiro integrante da Câmara a anunciar que está infectado com o novo coronavírus

 A transmissão do coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como: gotículas de saliva; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão e contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos. O Ministério informa que “qualquer pessoa que tenha contato próximo (cerca de 1m) com alguém com sintomas respiratórios está em risco de ser exposta à infecção”.

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