Congresso só não se afastou definitivamente de Bolsonaro por causa da crise do coronavírus, diz Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quarta-feira (1º) que o governo Bolsonaro não tem mais apoio no Congresso e terá de estabelecer nova relação com os parlamentares após a crise decorrente da pandemia do covid-19.

Segundo ele, por enquanto, o Parlamento está empenhado em buscar soluções para combater os efeitos do coronavírus. Mas, depois, a situação tende a se complicar para o governo, disse o deputado durante teleconferência promovida pelo Bradesco BBI.

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Na avaliação de Maia, o momento de crise é uma oportunidade para a reconstrução da relação do Executivo com o Legislativo. “A relação do Parlamento com o governo só não caminhou para um afastamento definitivo por causa da crise (do coronavírus). A crise é uma oportunidade para se reconstruir a relação com o governo e sair dessa agenda de movimentos que querem fechar o Parlamento, o Supremo, que a gente vê nas redes sociais que apoiam o governo. É preciso um freio de arrumação por parte de todos”, disse.

Ele ressaltou que o Congresso conduziu as agendas mais importantes em 2019 e que recebeu, em troca, apenas ataques do entorno do presidente nas redes sociais.

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O deputado também cobrou do governo que faça chegar logo à população, trabalhadores e empresários suas ações para enfrentar a crise. “Estou vendo anúncios do BNDES, por exemplo, que não estão chegando a lugar nenhum. Precisamos, de fato, pensar como ajudar o governo para que as coisas caminhem mais rápido”, afirmou.

Para o presidente da Câmara, o governo precisa resolver gargalos, como a questão da renda, do emprego e da liquidez das empresas. “O governo não resolveu. Tem setores que desde o início estão com problemas, como as academias, as aéreas, o setor de shopping center. O governo deveria ter pensado nas restrições, mas também nas soluções”, reivindicou.

 

 

 

Orçamento de guerra

Maia voltou a defender a votação de uma proposta que separe o orçamento da crise do orçamento geral da União. “O governo tem que entender que, com orçamento de guerra, vai ter mais flexibilidade para tomar uma atitude heterodoxa. Ele precisa colocar dinheiro nas empresas, porque se demorar muito não vamos garantir o resgate necessário delas”, disse.

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