Com Francischini na liderança do PSL na Câmara, partido busca pacificação

Após a saída da deputada Joice Hasselmann (SP) da liderança do PSL na Câmara, o ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) Felipe Francischini (PR) deverá assumir o comando da bancada na Casa. O partido já confirmou o nome, mas ainda falta a oficialização pela Câmara.

Depois de idas e vindas geradas pelo racha na sigla que elegeu o presidente Jair Bolsonaro, Joice deixa o posto para se dedicar à campanha para a prefeitura da cidade de São Paulo.

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O nome de Francischini é bem visto pelas duas alas do partido – a alinhada ao presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), e a que é próxima ao presidente Bolsonaro. Além disso, fontes avaliam que o deputado pode agregar dissidentes que haviam se afastado do partido.

Para o deputado Júnior Bozzella (SP), que rompeu com Bolsonaro no final do ano passado, conta a favor de Francischini sua experiência no comando da CCJ, em 2019. Sob a presidência de Francischini foi aprovada a admissibilidade da reforma da Previdência, por exemplo. Além disso, Bozzella vê no deputado um perfil de diálogo que é propício ao momento.

“O PSL hoje tem uma característica importante que todos nós preservamos, que é a independência dentro do Parlamento. Nós vamos ser bastante firmes com relação à independência. Quem quer que seja o líder vai realmente adotar essa postura. Acho que o Felipe cumprirá bem esse papel de manter o PSL no campo da independência”, avaliou.

Ele acredita que hoje o partido já vive uma harmonia, em que pesem as posturas mais combativas de alguns deputados. Em novembro de 2019, depois de rusgas com Bivar, o presidente Bolsonaro deixou o partido e anunciou a intenção de criar uma nova sigla: o Aliança pelo Brasil. Os atritos desencadearam uma crise no partido, dividindo as alas ligadas a Bolsonaro e a Bivar.

A organização política que Bolsonaro pretende formar ainda não foi oficialmente criada perante o Tribunal Eleitoral (TSE). Por essa razão, bolsonaristas não poderão disputar as eleições municipais deste ano pelo Aliança.

Mandato tampão

Francischini ficará no posto para uma espécie de mandato tampão, até o fim de 2020. O deputado Filipe Barros (PR), da ala bolsonarista, avalia que Francischini tem capacidade para liderar o partido e poderá trazer pacificação.

“Divergências em uma bancada grande sempre vão acontecer. Mas pelo menos acabar com as brigas públicas vai ser o principal desafio que acredito que ele pode contribuir bastante”, avaliou Barros. Sem comissões e com votações em Plenário apenas de temas relativos à pandemia, a liderança fica um pouco prejudicada.

“Eu acredito que o nome dele é infinitamente melhor do que o da Joice”, disse Barros. O deputado paranaense é crítico à atuação da atual líder, que, segundo ele, utiliza frequentemente seu tempo de liderança e as mídias sociais do partido para fazer oposição ao governo. Segundo Barros, a apresentação de um pedido de impeachment contra Bolsonaro por Hasselmann gerou um constrangimento grande, inclusive entre os deputados ligados a Luciano Bivar.

Outro ponto que pesa neste momento é a proximidade das eleições municipais, em que a proximidade com o presidente é interessante para deputados e correligionários que pretendem concorrer a prefeito e vereador. “Não é interessante, politicamente falando, eles manterem essa confusão acesa porque eles vão ter dificuldade em eleger seus candidatos”, ponderou Filipe Barros.

Com 41 deputados, o PSL é a segunda maior sigla da Câmara, atrás apenas do PT. Em outubro, Joice Hasselmann foi destituída da liderança do governo no Congresso e saiu atirando no presidente, o que adicionou mais um ingrediente ao conflito dentro da sigla. O comando do PSL na Câmara foi disputado entre ela, o então líder, Delegado Waldir (GO) e o filho do presidente Eduardo Bolsonaro (SP).

Em meio às brigas dentro do partido, o vídeo de uma reunião interna vazou revelou um deputado Francischini revoltado com o tratamento dado pelo presidente aos deputados da sigla. No áudio, ele afirmava que os parlamentares foram tratados como “cachorro” por Bolsonaro.

“A gente foi tratado que nem cachorro desde ele ganhou a eleição, nunca atendeu a gente em porra nenhuma”, reclamou Francischini. “Explode a bancada, fode todo mundo. (...) Daí a gente vai assinar a liderança pra ele e achar que tá tudo bem? Porra. O que que ele tá oferecendo? Ele só liga na hora que tá precisando de favor para foder com alguém”, cobrou o parlamentar. Meses depois da revelação do áudio, a fala continua a gerar certo desconforto, mas na avaliação de bolsonaristas, a situação atual, com uma líder combativa como Joice, é ainda pior.

Procurado pela reportagem, o deputado Francischini não se pronunciou. O espaço permanece aberto caso o deputado queira comentar.

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