Candidato à presidência da Câmara quer acabar com votações de madrugada

Jovair Arantes forma comitê para elaborar propostas de mudança no regimento interno da Casa e quer que deputados aliados participem de "vaquinha", com doação de R$ 5 mil a R$ 8 mil, para financiar sua campanha

Um comitê formado nesta terça-feira (3) por profissionais de várias áreas e deputados vai elaborar, nos próximos dias, um documento com as propostas do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), para sua campanha à presidência da Casa. O documento deve conter medidas que tratam da organização do funcionamento das comissões permanentes e do plenário e mudanças no regimento interno, que define as tramitações e os procedimentos legislativos que devem ser obedecidos pelos deputados. Uma das alterações defendidas pelo petebista é rever a prática cada vez mais usual no plenário de votar projetos polêmicos e importantes de madrugada.

“Precisamos começar um processo de mudança gerencial das votações e de moralização da Câmara, que está no canto do ringue. Uma das primeiras alterações será reescrever o regimento interno, que é da época em que existiam cinco ou seis partidos. Hoje são 28 (na Casa)”, disse Jovair. O parlamentar critica o funcionamento da Casa, que, com muita frequência, vota temas importantes de madrugada, quando os deputados estão cansados e sem capacidade para negociar.

Também foi decidido que o comitê de campanha dele será composto por advogados, jornalistas, marqueteiros, especialistas em regimento do Poder Legislativo, assessores das áreas administrativa e deputados que apoiam a candidatura de Jovair. O grupo vai começar a arrecadar dinheiro para bancar as despesas de campanha. O parlamentar chegou a instituir uma cota entre R$ 5 mil e R$ 8 mil para arrecadar junto a apoiadores.

Líder de uma bancada com 17 deputados, Jovair decidiu se descolar do grupo conhecido como Centrão, liderado pelo seu partido e composto por outras 12 siglas médias da Câmara como o como o PSC, o PP, o PRB, o SD e o PSD. O grupo suprapartidário ficou conhecido porque foi formado sob a liderança do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cassado no ano passado por quebra de decoro parlamentar e preso por determinação do juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato. “Quero ser candidato de uma aliança mais ampla”, justifica Jovair.

O deputado deve disputar a eleição com o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - que tenta concorrer novamente ao posto em meio a uma polêmica sobre a proibição constitucional de reeleição para o cargo na mesma legislatura - e o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), outro integrante do Centrão. Todos apoiam o governo do presidente Michel Temer, mas o Palácio do Planalto já deu sinais que pretende bancar a recondução de Maia.

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