Câmara quer votar fim de supersalários antes de reforma administrativa

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e os líderes partidários pretendem tirar da gaveta a proposta que barra os supersalários no serviço público. A ideia tem a simpatia de Lira e da maioria dos líderes que participaram de uma reunião com ele na presidência da Câmara, nesta terça (8).

Segundo o líder do Novo, Vinicius Poit (SP), a intenção é votar o projeto relatado pelo deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR) antes da reforma administrativa em Plenário.

O martelo ainda não foi batido, mas a tendência é essa, de acordo com Poit. Os líderes pretendem, assim, sinalizar para todo o serviço público que a reforma pretende cortar privilégios, explicou o deputado.

"Praticamente há um consenso, mas precisa de um acordo", falou. "Não dá pra votar os supersalários com essa agilidade antes de instalar a comissão, mas existe a possibilidade de fazer um acordo de a reforma não vir para o Plenário antes de aprovar o fim dos supersalários."

Questionado se os supersalários do Judiciário também foram debatidos, Poit confirmou que há uma possibilidade. "Na reunião de líderes, não senti indisposição [sobre o tema]. Senti quase em consenso, a maioria falando, base, oposição, centro, de que vai ser uma boa sinalização pra base do serviço público e para o cidadão brasileiro, que merece esse respeito, a gente cortar esse supersalário, esses privilégios".

A ordem do presidente da Câmara teria sido de os líderes levarem os temas para discussões dentro dos partidos.

Oposição quer ampliar debate

O líder da Minoria na Câmara, deputadoMarcelo Freixo (Psol-RJ), afirmou que há compromisso entre o presidente da Casa e as lideranças partidárias de nao suprimir qualquer direito adquirido de servidores públicos.

Freixo também participou de reunião com Lira e demais líderes para discutir o andamento da reforma, cuja comissão deverá ser instalada na quarta (9). O objetivo do encontro foi estabelecer "procedimentos", segundo o deputado fluminense, e garantir espaço para a oposição.

"O importante é que se garanta ampla representatividade na comissão. Tem quatro partidos que ainda tão fora e há um esforço pra que todos estejam, pra que o debate possa ser amplo", declarou Freixo.

O psolista ainda relatou que o líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), comentou no encontro haver alinhamento entre o Planalto e a proposta de reforma. "Existe sim, segundo líder do governo, um alinhamento do governo com essa proposta", explicou o deputado do Psol. "Nós da oposição, a gente se colocou, evidentemente, contrário a essa ideia, mas vamos fazer um debate pra que o texto possa ser o melhor possível."

De acordo com Freixo, o combate aos supersalários deverá ser votado para coibir privilégios. "É uma unanimidade na Casa. É um recado ao enfrentamento aos privilégios."

A comissão da Reforma será presidida pelo deputado Fernando Monteiro (PP-PE). A relatoria ficará com Arthur Maia (DEM-BA).


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