Briga com militante do Psol rende processo a deputado do PSL

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), que ficou conhecido após quebrar a placa da vereadora Marielle Franco, será processado por conta da última briga em que se envolveu. Ele publicou um vídeo nas redes sociais trocando acusações e "cuspidas" com uma militante do Psol nesta semana. A mulher não se opôs à gravação, mas diz que sofreu um "linchamento virtual" depois que foi marcada no post. Por isso, promete apresentar uma queixa por danos morais contra o deputado nesta segunda-feira (16).

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"Vou entrar com um processo por danos morais na esfera cível para fazer ele retirar os vídeos da internet. A ação já está pronta, estou só anexando os prints das redes sociais para apresentá-la", contou Nayara Berdnasky, que no vídeo publicado por Daniel Silveira chama o deputado de fascista e recebe de volta xingamentos como "gorda", "dragão de komodo", "lhama cuspideira" e "aprendiz de Jean Wyllys".

Nayara tem 32 anos e estuda na mesma faculdade de direito que Daniel Silveira frequenta em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Ela conta que a briga, ocorrida na última segunda-feira (9), começou depois que ela chegou à lanchonete da faculdade, viu o deputado tomando café e comentou que o local estava mal frequentado. "Eu comentei discretamente com o caixa, com quem sempre converso. Aí ele disse 'está falando comigo, sua petista?'", admitiu Nayara, contando que a partir daí os dois começaram a trocar acusações. Ele a chamou de gorda e ela rebateu com um "fascista". "Aí ele disse que, como era uma pessoa pública, ia filmar", contou a militante do Psol, que continuou chamando Daniel Silveira de fascista na gravação.

Como mostra o vídeo publicado pelo deputado do PSL nas redes sociais, Silveira responde Nayara dizendo que o Psol é um "partido de maconheiros, vagabundo, narcoterrorista". Ela rebate chamando o deputado de ridículo e dizendo que fascistas não passarão. Ele provoca e a moça cospe em Daniel Silveira, que depois também devolve a cuspida. Ao publicar o vídeo, o deputado ainda diz que, se fosse um homem, Nayara teria levado um soco por conta dessa discussão. Veja:

Procurado pelo Congresso em Foco, Daniel Silveira disse na ocasião que só respondeu aos xingamentos de Nayara e diz que gravou a briga para que nada pudesse ser distorcido. Nayara e o Psol não se manifestaram na ocasião, mas agora decidiram se manifestar por conta dos desdobramentos da discussão.

"Eu moro em uma cidade pequena. E aqui não se fala de outra coisa. Não estou saindo de casa. Tive um dado pessoal muito negativo", justifica Nayara, explicando que 80% da sua cidade é "conservadora, eleitora de Bolsonaro". "Além disso, ele me marcou no post e incitou meu linchamento virtual. Eu fui linchada virtualmente", reclama a estudante, dizendo que precisou mudar suas redes sociais para poder tentar escapar de tantas mensagens "de teor ofensivo". "Mudei meu usuário no Instagram e desativei meu Facebook", conta Nayara, dizendo que seu ex-marido também foi atacado por Daniel Silveira nas redes sociais. "Ele disse que eu era feminista, mas sofria violência doméstica. É mentira", reclamou Nayara, que por isso resolveu recorrer à Justiça.

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Em nota, a setorial do Psol-RJ disse que apoia a decisão de Nayara de apresentar uma "denúncia judicial por danos morais, pelo uso indevido da sua imagem". "Contra o machismo e a misoginia nos levantaremos sempre, por nós e por todas", explicou.

Nas redes sociais, Daniel Silveira comentou que a decisão de Nayara de recorrer à Justiça pode ser respondida com um novo processo. Veja o que ele disse:

> Veja aqui a íntegra da nota divulgada por Daniel Silveira após a briga com a militante do Psol

Apesar de ter posado ao lado da placa de Marielle Franco que foi quebrada em uma rua do Rio de Janeiro, o deputado ainda reclamou da associação ao episódio. "Trata-se de uma placa falsa, colocada sem nenhuma autorização sob um logradouro tombado pelo patrimônio histórico, ou seja, um ato de puro VANDALISMO. A placa da Marielle Franco está intacta no logradouro que foi conferido pela prefeitura para a legal homenagem", afirmou por meio da sua assessoria.

Veja a nota publicada por Nayara Berdnasky e nota do Psol-RJ:

"Eu tenho ciência da minha imprudência ao comentar que me senti incomodada com
a presença do Deputado ali, na lanchonete. Acontece que não justifica o assédio moral que sofri por 18 minutos.
Foram opressões de todos os tipos: Gordofobia, quando ele se refere a mim
de forma pejorativa como uma mulher gorda; Machismo, quando -incansavelmente-
me chama de vagabunda; Fascismo, quando ele aproveita de sua condição de Deputado Federal
para dizer: ''Vamos ver quem manda aqui! PEÇA A AJUDA PARA A MARIELLE.''
Tudo isso com minha imagem exposta ao vivo e sendo intimidada fisicamente por um homem grande e forte.
Violência total!
Como se não bastasse, expôs meu ex-marido de forma caluniosa, e expôs meu perfil do instagram em seu story, para que seus seguidores me perseguissem. Essa é a tática da extrema direita. Desmoralizar em rede.
Eu não vou entrar nessa guerra. Além de ser injusta e desigual, não vale a pena! Porém, não posso me calar!
Medidas judicias devem e já estão sendo tomadas. Chega de fascismo, machismo e qualquer tipo de opressão se perderem na impunidade.
Encerro agradecendo ao apoio da minha família, amigos, PSOL RJ em especial a Deputada Monica Francisco e o dirigente
José Juis Fevereiro, que me abraçaram no meio desse furacão".

 

Veja também a nota enviada pelo Psol-RJ:

"NOTA DE SOLIDARIEDADE À NAYARA BERDNASKI

A ampliação da participação de mulheres na política é uma das bandeiras do movimento feminista. O Brasil tem mais da metade da sua população formada por mulheres, mas, pela sua constituição patriarcal, mulheres ainda são subrepresentadas na política.
O Psol (Partido Socialismo e Liberdade) tem muito orgulho em ter o feminismo e luta por igualdade de gênero como um dos pilares estruturante da luta por uma uma sociedade mais justa. Por isso e por sermos o único partido com uma bancada paritária na Câmara Federal, o combate do machismo estrutural, instalado na política brasileira, com força especial nos interiores, faz parte do nossa militância. Não recuaremos da luta contra o sexismo a fim de romper com o ciclo de violência contra as mulheres dentro e fora da política.
Na última semana, a companheira Nayara do município de Areal vem sendo alvo de ataques públicos em suas redes sociais por um deputado e seus seguidores com diversas ofensas e ameaças, após um desentendimento pessoal ocorrido na faculdade onde estudam.
A setorial de mulheres do Psol-RJ se solidariza e se posiciona ao lado da companheira, se a decisão for por uma denúncia judicial por danos morais, pelo uso indevido da sua imagem."

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