“Bolsonaro toma uma punhalada nas costas por dia”, diz Major Olímpio

Após Jair Bolsonaro afirmar, nesta segunda-feira (20), que a classe política é "o grande problema" do Brasil, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP) saiu em defesa do presidente e disse que ele apenas "fez uma constatação" e "sofre de sincericídio".

"Ele está se incluindo, também é político. Ele não está se insurgindo, apenas fazendo constatação. Ele está vendo as articulações de bastidores, a omissão de aliados, ou melhor, dos pseudoaliados agora pela votação da MP 870 [reforma administrativa]. Ano passado tomou uma facada na barriga. Agora, toma uma punhalada nas costas por dia", disse o senador.

A Medida Provisória 870 é, no momento, a grande preocupação do governo no Congresso. Com o prazo próximo de expirar - vence em 3 de junho -, caso não seja avalizada pela Câmara e o Senado até lá, a reestruturação promovida por Bolsonaro após tomar posse, com a redução da máquina administrativa, pode ir por água abaixo.

O governo sofreu derrotas acachapantes na votação na comissão especial, em 9 de maio, a principal delas, o retorno do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia, tirando-o das mãos do ministro da Justiça, Sérgio Moro. (Veja como votaram os parlamentares).

Tanto a Casa Civil, quanto as lideranças no Congresso estavam dispostas a bancar as derrotas e seguir com a votação no plenário naquele mesmo dia. Podemos, Novo e PSL, porém, barraram a articulação, apesar dos apelos do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

"Muita gente que se matava para fazer foto de arminha com a mão, que se dizia eternamente aliado de Bolsonaro, nesse momento não quer apoiá-lo. Esqueceram dos princípios colocados pelo Bolsonaro como fundamentais na campanha", criticou Olímpio.

A articulação nos bastidores havia sido combinada com o Centrão - bloco formado por PP, PRB, PR, DEM e Solidariedade -, em concordância com os auto-intitulados partidos de Centro Democrático - MDB, PSDB e PSD -, e a oposição, com a qual também o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estava de acordo.

Ao longo dessa segunda (20), Rodrigo Maia recebeu aliados na Residência Oficial da Câmara para tratar da votação da MP. A ideia é que ela seja votada ainda essa semana no plenário da Casa e siga ao Senado.

>> "Governo começa semana pressionado por medidas provisórias que podem perder validade

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