Bancada evangélica apresenta agenda para próximo governo e critica “revolução comunista”

A Frente Parlamentar Evangélica lançou ontem (24) um manifesto à nação que traz as principais pautas do grupo cristão para o próximo governo. Chama a atenção a parte referente ao sistema educacional: o texto fala em “revolução” e adoção de um modelo de ensino fundado na meritocracia e o fim das “ideologias”. Sem citar nomes ou se aprofundar no tema, a bancada evangélica acusa escolas de preparar jovens para a “Revolução Comunista” e ditaduras totalitárias, a exemplo da extinta União Soviética.

“Na verdade, ou temos escola ou temos Ideologia. São inconciliáveis. Teremos que reinserir a Escola e a Universidade públicas em seu leito tradicional e conservador: ensinar”, diz o documento.

Nesse sentido, a bancada também quer instituir o Ensino Moral como conteúdo transversal em todas as disciplinas. Além disso, quer promover a universalização do amor à pátria, a símbolos nacionais como a bandeira e o hino, aos “heróis nacionais” e a demais “manifestações que agem no plano simbólico”.

Intitulado, o documento “O Brasil para os Brasileiros” é estruturado em quatro eixos – modernização do Estado, segurança jurídica, segurança fiscal e revolução na educação – e servirá de base para atuação da bancada na próxima legislatura. Dentro das pautas defendidas no documento estão a redução do número de ministérios, reformas tributária e da Previdência e revolução no sistema educacional.

“De fato, para além da pauta tradicionalmente por nós defendida – de preservação dos valores cristãos e de defesa da família – compreendemos que é chega a hora de darmos uma contribuição maior à sociedade, a qual seja consentânea aos mais de 45 milhões de eleitores brasileiros que professam a fé evangélica”, diz o documento.

Convergência

O presidente da frente, deputado Pastor Takayama (PSC- PR) disse ao Congresso em Foco que o grupo vai apresentar essas pautas ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) por acreditar que ele se identifica com os valores defendidos por eles. “Tenho certeza que a nossa pauta vai coincidir muito com as dele, mas não significa que a nossa pauta seja exatamente a dele”, disse.

O deputado, que não conseguiu se reeleger no Paraná e deixa o Congresso no final do ano, disse ainda que os governos anteriores são responsáveis por uma “tentativa de destruição de valores”. Como exemplo, ele citou a “ideologia de gênero” e os 14 milhões de desempregados.

“São mostras claras de que o modelo está errado e nós precisamos de um novo Brasil, que viva sobre os valores do caráter cristão”, disse o atual presidente da frente.

O documento propõe ainda a redução dos atuais 29 ministérios para 15 pastas, com a redução de até 600 caros comissionados e extinção de 10.538 cargos comissionados de chefia 1 e 2 no governo federal.

Para economia, o grupo sugere uma reforma tributária com a padronização dos impostos em um IVA nacional, modernização previdenciária, maior abertura comercial e independência do Banco Central. “A responsabilidade fiscal deve ser considerada como um valor intrínseco à gestão, e conduta exigida de todos os agentes políticos que administrem a coisa pública”, acrescenta o texto.

 

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