Bancada do trânsito condena suspensão de radares determinada por Bolsonaro

Deputados da frente parlamentar pelo trânsito seguro, relançada oficialmente na última terça-feira (2), veem com preocupação a decisão do presidente Jair Bolsonaro de suspender a instalação de 8.015 radares em rodovias federais administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura Rodoviária (DNIT). "Sabemos que a grande maioria destes têm o único intuito de retomo financeiro ao estado", publicou Bolsonaro no Twitter no último domingo (31).

O coordenador da bancada, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), avalia que a medida pode ter sido precipitada. "Eu acho que a decisão tem que vir acompanhada de dados. De números. Não só de aumento de multas, mas saber o que significa [a suspensão para a segurança nas rodovias]. Eu acho ainda temerário que isso possa acontecer, porque para poder fazer um estudo desse, para poder cancelar, ter um efeito prático, você tem que saber", afirma.

O Ministério da Infraestrutura afirma, em nota, que a licitação para a instalação dos 8 mil novos aparelhos (que teria um custo de R$ 1,029 bilhão, de acordo com a pasta) foi vencida em janeiro, na gestão anterior do DNIT. Este edital havia sido aberto em 2016, no governo Temer. O ministério diz que estudos técnicos já em andamento vão determinar uma "análise rigorosa" do plano de radares. A ideia do governo é substituir os pardais por "outros mecanismos de segurança" em locais onde não forem essenciais à segurança viária.

Uma reportagem do jornal O Globo desta quarta (3) afirma que os 52,7 mil quilômetros de rodovias federais não concessionadas do país são fiscalizados por 5.500 pontos de monitoramento (o que não significa 5.500 radares, pois um equipamento pode cobrir mais de um ponto). Destes 5.500, porém, apenas 440 estão em operação atualmente. Os demais, segundo O Globo, estão desativados.

"É muito delicado quando algumas ações são tomadas são tomadas sem antes observar a realidade", critica outra integrante da bancada, a deputada Christiane Yared (PR-PR), que ficou conhecida por ter perdido um filho em uma tragédia automobilística em 2009.

Yared pediu o desarquivamento de um projeto de lei de sua autoria que já havia sido aprovado, no mandato passado, na Comissão de Viação e Transportes da Câmara. para proibir expressamente qualquer relação entre a remuneração de empresas responsáveis pela instalação e manutenção de radares de velocidade em rodovias e o valor ou o percentual de multas aplicadas. "Nós também somos contra a indústria da multa. O que nós defendemos é a vida", conclui Yared.

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