Aliados de Tabata dizem que PDT prioriza Ciro em vez da sigla

Lauriberto Pompeu

O deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES) e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) criticaram ao Congresso em Foco nesta quinta-feira (18) o PDT por proibir candidaturas de movimentos de renovação política.

"O PDT está fazendo isso porque tem candidato em 2022. Isso mais atrapalha do que ajuda o próprio PDT", disse o deputado.

O senador da Cidadania também seguiu a mesma linha e credita a Ciro Gomes (PDT) a rigidez da sigla com os deputados que votaram pela reforma:

"Ciro Gomes é um oportunista, só consegue pensar de forma personalista, não aceita dissidência. Já passou por meia dúzia ou uma dúzia por ser individualista".

Os dois congressistas e  a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) fazem parte do movimento Acredito.

Os três atuam de forma conjunta no Congresso Nacional, compartilhando assessores e com reuniões regulares para definir projetos de autoria dos 3, como emendas ao texto original da reforma da Previdência enviada pelo governo ao Poder Legislativo.

Na quarta-feira (17), o diretório nacional pedetista decidiu instaurar processo disciplinar contra os deputados e suspender as atividades partidárias por até 60 dias.

A direção da sigla também não vai mais aceitar filiados que participem de grupos políticos com financiamento empresarial, como é o caso dos movimentos Acredito, Agora e RenovaBR.

Rigoni e Tabata estão ameaçados de expulsão por suas siglas por terem contrariado decisão dos partidos e votado pela reforma da Previdência.

"Não imaginava que [o PDT] seguiria esse rumo. As declarações chegaram na pessoa da Tabata, não nas opiniões que ela tem", afirmou o pessebista.

A sigla socialista também abriu processo contra os deputados dissidentes, mas ainda não aplicou nenhuma punição.

Rigoni afirmou ter recebido convite para se filiar a mais de dez partidos, mas que "trabalha com a hipótese de ficar no PSB".

De acordo com Rigoni, ele escolheu o PSB para se filiar porque era a legenda que tinha mais proximidade em seu Estado, o Espírito Santo. A unidade da federação é governada pelo pessebista Renato Casagrande.

O deputado decidiu entrar em um movimento de renovação em vez de se filiar diretamente a um partido porque acredita que as siglas "são mais barreiras do que alavancas para entrar na política".

Sobre a reforma tributária, que está em análise pela comissão especial da Câmara, o pessebista  afirma que o tema deve ter mais consenso do que a votação da reforma da Previdência.

Para o senador Alessandro Vieira, o Cidadania é o partido "mais desenvolvido para movimento de renovação". O congressista se elegeu em 2018 pela Rede, mas saiu do partido após não preencher os requisitos para ter acesso ao fundo partidário.

Alessandro afirma que é preciso uma renovação política de grupo e completa: "não adianta uma só pessoa ter sucesso eleitoral, precisa alavancar pessoas com o mesmos perfil. Sanções como a cláusula barreira impedem que a gente possa fazer essa construção".

Em nota a assessoria de Alessandro Vieira negou que os movimentos de renovação recebam financiamento empresarial. “Embora, muitos acreditem que sim, porque alguns empresários participam dos movimentos”, completa.

O senador disse que sua campanha foi custeada com recursos próprios e que custou R$ 70 mil.

 

 

 

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