Deputado Knoploch processa vítima de tiro por calúnia e difamação

O caso do advogado Helvidio Nunes Neto, baleado pelo deputado estadual Alexandre Knoploch (PSL-RJ), segue gerando repercussões na mídia e na justiça. Após declarações de Helvidio ao Congresso em Foco de que a defesa do deputado teria tentado convencer-lhe a mudar versão oficial na polícia após pagar a primeira parcela de um acordo extrajudicial, Knoploch registrou boletim de ocorrência contra Neto, por calúnia, na manhã desta segunda-feira (20). O parlamentar nega as acusações e está processando o advogado pelas "afirmações caluniosas feitas por ele à imprensa recentemente".

Knoploch foi procurado por Helvidio no dia seguinte ao ocorrido. Segundo o político,  na ocasião, o advogado pediu ajuda para pagar despesas médicas e fisioterapia. "Foi quando Knoploch respondeu que ajudaria dentro daquilo que pudesse, mas que agiu em legítima defesa porque havia sido agredido covardemente pelas costas", diz material divulgado pela assessoria de imprensa do deputado.

Knoploch afirma que pediu que Helvídio tratasse do pagamento da fisioterapia com seu advogado.

Procurado pela reportagem, a vítima do tiro afirmou que procurou o acordo, "mais por medo do deputado do que qualquer outra coisa".

"Não cederei a nenhum tipo de tentativa de extorsão. O que aconteceu foi que ele me procurou logo depois do ocorrido, pedindo desculpas e pedindo também que eu ajudasse a pagar a fisioterapia. Foi aí que houve um acordo que eu ajudaria com 12 parcelas de R$ 1250, para pagar as despesas médicas dele. Não pedi que ninguém mudasse depoimento em momento nenhum. Eu fui o primeiro a procurar a delegacia seguidamente da ocorrência dos fatos", explicou o deputado ao sair da 18ª DP.

Helvidio sustenta sua versão, mas afirma que "à pressão do deputado para modificar o depoimento, naturalmente ela foi velada" e diz que ela aconteceu através do seu ex-advogado.

"Por telefone e presencialmente após a reunião onde o meu ex-advogado aceitou a oferta de R$ 15 mil para composição amigável, o mesmo estranhamente insistia que eu teria que mudar meu depoimento na 1ª DP no inquérito que investiga o ocorrido", diz.

Knoploch afirmou que teve acesso a mensagens recentes trocadas com um amigo em comum entre ele e Helvídio. Na mensagem Helvídio teria dito que achou "R$ 15 mil muito pouco". E que seu condomínio custa R$ 1 mil.

Sobre isso, Knoploch reafirma que o valor ao qual se comprometeu de pagar dizem respeito ao custeio de fisioterapia, a pedido do próprio Helvídio.

"Também não procede a informação de que Knoploch deu 'carteirada' para adentrar o estabelecimento comercial em Brasília", diz a nota, em referência a parte na qual Helvidio afirma que o deputado não era convidado na festa e que entrou após pressionar os seguranças.

"Além disso, também não procede a informação de que o deputado bebia e mexia com mulheres no local do ocorrido", afirma nota encaminhada pela equipe do deputado.

Neste ponto, Knoploch se refere a outra parte da entrevista cedida por Helvidio ao Congresso em Foco, na qual ele afirma que "o pessoal começou a ficar bêbado e os deputados começaram a dar em cima das meninas que estavam lá. A maior parte delas estava acompanhada", sem, no entanto, citar Knoploch nominalmente.

"Tudo que é dito precisa ser provado. Fui eu quem tomei a iniciativa de pedir exame de alcoolemia, logo que estive na delegacia, para comprovar que eu não havia ingerido bebida alcoólica", finalizou.

Nota resposta de Helvidio Nunes Neto na íntegra

Quero declarar que estava completamente abalado emocionalmente, em confusão mental, medicado 24hs por dia durante minha internação no hospital de base, quando durante a mesma internação procurei a tentativa de acordo. Muito mais por medo do deputado do que qualquer outra coisa.

Estava aterrorizado, sem noção do que estava vivendo e sem ideia do risco que estava correndo por sofrer fraturas expostas no 1o e 2o metatarso, com falha óssea, e no momento ainda não tenho noção exata, pois a definitiva cirurgia ocorrerá dia 07/08, mas os médicos não escondem que corro risco de perder o pé ou ter sequelas pro resto da vida.

Em relação à pressão do deputado para modificar o depoimento, naturalmente ela foi velada. Através do meu próprio ex-advogado.

Por telefone e presencialmente após a reunião onde o meu ex-advogado aceitou a oferta de 15 mil para composição amigável o mesmo estranhamente insistia que eu teria que mudar meu depoimento na 1a DP no inquérito que investiga o ocorrido.

Eu sempre neguei a modificação no meu depoimento à polícia pois jamais alteraria a realidade pura do que ocorreu. Jamais agredi o deputado pelas costas, foi na têmpora dele, ele de lado, acima do olho esquerdo e não quebrei o óculos dele. Jamais fui pra cima dele após essa primeira agressão. O deputado não atirou no meu pé, ele atirou na minha direção no meio de 10 pessoas, assumindo risco de me matar, reação totalmente desproporcional ao cascudo que desferi no deputado acreditando estar socorrendo um amigo na confusão no bar NOAH.

Somadas às reiteradas insinuações por telefone e quando foi buscar minha assinatura na procuração no hospital para modificar meu depoimento na polícia, meu ex-advogado disse expressamente no WhatsApp, conforme prints que encaminho, que para o acordo ser firmado com o deputado eu precisaria modificar meu depoimento.

Essa pra mim foi a forma velada do deputado me obrigar através dos 15 mil me fazer mentir pra polícia. O que jamais irei aceitar.

Por isso devolvi o dinheiro e irei processar o deputado e o bar por danos morais e para ressarcir toda via Crucis de tratamento médico que mal começou a assombrar minha vida.

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