Contra Kassio Nunes, bolsonaristas fazem campanha por conservador no STF

Um dia após o nome do desembargador federal Kassio Nunes ser apontado, com as digitais do Centrão, como o favorito de Bolsonaro à vaga de ministro a ser aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), um movimento de influenciadores alinhados ao Bolsonarismo cobra o presidente por uma indicação de nome "conservador" à corte.

A hashtag "Conservador No Supremo Já" se tornou, na manhã desta quinta-feira (1º), um dos assuntos mais comentados no Twitter, com cerca de 78 mil menções ao tema.

Um dos primeiros a comentar o tema foi o deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSC-PR). Em uma mensagem no Twitter, o deputado criticou a possível escolha de Kassio como ministro do STF. Segundo ele, o nome do piauiense não ajudaria a mudar um perfil supostamente beligerante da corte.

Uma das principais influenciadoras do campo bolsonarista, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel afirmou que um nome "conservador" era o único possível para o Judiciário.

Outro com influência no espectro da direita, o perfil de Leandro Ruschel (com 412 mil seguidores) também pressionou o governo a indicar um nome de perfil mais tradicionalista. Para ele, a chance aberta com a aposentadoria de Celso de Mello não pode ser desperdiçada. " Apesar do povo brasileiro ser majoritariamente conservador, não há um único representante dessa corrente de pensamento no Supremo", escreveu. "Jair Bolsonaro tem a oportunidade de mudar esse cenário."

O ex-deputado Roberto Jefferson – que está com sua conta oficial no Twitter retida por decisão do STF – utilizou-se de uma conta reserva para saudar a decisão do presidente. Para ele, "lobistas" não poderiam se valer da indicação:

Entre as críticas ao nome de Kassio, está o fato de que ele foi nomeado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) por Dilma Rousseff. O juiz federal já se mostrou, em outros momentos, favorável à prisão em segunda instância – o que pode influenciar a jurisprudência caso a corte resolva julgar novamente a questão.

A indicação foi comemorada por nomes ligados ao Centrão, como o senador Ciro Nogueira, que já comentava uma possível indicação do magistrado ainda em 2019.

O nome de Kassio Nunes passou à dianteira das apostas para novo nome do STF, depois de o presidente ter informado a ministros da corte que o desembargador, vice-presidente do TRF1, seria a sua escolha. A surpresa foi além do núcleo conservador, já que outros nomes eram considerados favoritos para a sucessão de Celso de Mello – tais como o ministro da Justiça, André Mendonça, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e mesmo o juiz federal Marcelo Brêtas eram cotados à vaga.

Bolsonaro tem no horizonte outra indicação ao Supremo Tribunal Federal: em 2021, data da aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello.

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