MPF alertou sobre necessidade de investigar atos antidemocráticos recentes

Como forma de avançar nas investigações dos atos antidemocráticos, o Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), em março deste ano, que atuasse para garantir a instauração de um inquérito pela Polícia Federal apurando novos movimentos de rua que pediam intervenção militar.

O documento é assinado pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques, e sinaliza para a possibilidade de uma ação orquestrada, incluindo a existência de uma rede de financiamento para realização dessas manifestações em frete a quartéis do Exército.

Essas informações constam em um dos volumes dos inquéritos que investigam atos antidemocráticos. Tais documentos estavam em segredo de justiça até esta segunda-feira (7), quando o relator do caso no Supremo, ministro Alexandre de Moraes, quebrou o sigilo deles. Na semana passada, a PGR tinha pedido o arquivamento do processo, que tem entre os investigados parlamentares e blogueiros bolsonaristas.

O pedido emitido pelo MPF trata do compartilhamento de um vídeo nas redes sociais no qual "um movimento denominado 'resgatabrasil2021' incita a população a comparecer às 'portas dos quartéis' às 10h00 do dia 14 de março de 2021 visando uma intervenção militar", o que, segue o documento, poderia constituir crime.

No documento, o vice-procurador geral relata que foi realizada uma consulta, sendo possível identificar o canal de origem, bem como outros vídeos semelhantes. Em um desses vídeos, aparece uma pessoa, identificada como Sérgio Kruke, que se autodenomina organizador da "demonstração que irá ocorrer em Manaus". Ainda de acordo com o documento, ele "aparenta ter ciência da existência de uma convocação geral de carretas 'em todo o Brasil'".

Em 2020, Kruke foi candidato a vereador em 2020 de Manaus pelo PRTB.

Invasão ao Senado e os “300 do Brasil”

Em outro trecho dos inquéritos, consta um relatório da Polícia Legislativa do Senado sobre a tentativa de invasão ao Senado, ocorrida em 14 junho de 2020. O material foi remetido ao STF pelo então presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP) no sentido de contribuir com as investigações sobre os atos antidemocráticos. Nele, afirma-se que “é possível identificar a maioria dos invasores pelas imagens capturadas pelo Sistema Fechado de TV" e que eles usavam roupas com dizeres do grupo "300 do Brasil".

O documento, continua: “haja vista que o fato ocorrido nos próprios do Senado Federal, além do potencial criminoso e da semelhança do modus operandi em relação às condutas investidas contra o Supremo Tribunal Federal, também revela, salvo melhor juízo, especial afronta à sede do Poder Legislativo e à sua representação no contexto democrático”.

No ataque ao Senado "os invasores estavam munidos de artefatos explosivos que eram sistematicamente detonados conforme o grupo avançava às dependências próximas à cúpula”. A Polícia Legislativa acrescenta que "alguns artefatos, segundo relato de um dos vigilantes, eram detonados em direção a ele".

A líder do grupo responsável por essa tentativa de invasão era Sara Winter, que teve a prisão decretada no ano passado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após participar de um ataque ao prédio do STF com fogos de artifício. Dita ex-feminista, ela também é investigada no inquérito das fake news.

Sara Winter tem passagem pelo DEM, de onde foi expulsa. Posteriormente se aproximou de figuras mais conservadoras como o deputado federal Marcos Feliciano (Podemos-SP) e o próprio presidente Bolsonaro, além da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

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