Marco Aurélio determina soltura de condenados em 2ª instância. Decisão beneficia Lula

O  ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (19) a suspensão da pena de prisão para condenados em segunda instância, ou seja, sem a declaração de trânsito em julgado de seus processos. A decisão do magistrado atende a pedido do PCdoB e beneficia diretamente o ex-presidente Lula, mas ainda cabe recurso ao presidente da Corte, ministro Dias Toffoli.

Veja a íntegra: 

 

Encabeçado pelo advogado Cristiano Zanin, o grupo de advogados que defendem Lula já ajuizou pedido de soltura do petista (íntegra abaixo). Ele cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR) desde 7 de abril, depois de condenado a mais de 12 anos de prisão em decorrência da Operação Lava Jato.

Veja a íntegra do pedido de soltura

A decisão de Marco Aurélio foi anunciada na véspera do recesso de fim de ano do Judiciário. No próprio despacho, o ministro diz que a palavra final sobre o caso deve ser do pleno do STF, que só volta a se reunir em fevereiro.

"Defiro a liminar para, reconhecendo a harmonia, com a Constituição Federal, do artigo 283 do Código de Processo Penal, determinar a suspensão de execução de pena cuja decisão a encerrá-la ainda não haja transitado em julgado, bem assim a libertação daqueles que tenham sido presos, ante exame de apelação, reservando-se o recolhimento aos casos verdadeiramente enquadráveis no artigo 312 do mencionado diploma processual", escreveu Marco Aurélio.

"Submeto este ato ao referendo do Plenário, declarando-me habilitado a relatar e votar quando da abertura do primeiro Semestre Judiciário de 2019. Publiquem", arremata o ministro.

Responsável por pareceres que recomendam a manutenção da prisão de Lula, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, convocou reunião de emergência. A força-tarefa da Lava Jato no Paraná, que preparou a denúncia que resultou na condenação do petista, convocou coletiva de imprensa para 16h. A expectativa é quanto aos próximos passos tanto da PGR quando do grupo do Ministério Público paraense em relação à liminar de Marco Aurélio.

Reação

A decisão do ministro já provoca intensa reação nas redes sociais. O próprio nome do ministro é um dos principais assuntos do Twitter. Grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), que se notabilizou por ativismo de direita na internet, já anunciam manifestações em frente ao STF.

Membro do PCdoB e candidata derrotada à disputa presidencial, a deputada estadual Manuela D'Ávila comentou a decisão no Twitter.

 

O mesmo fez a presidente nacional do PT, senador Gleisi Hoffmann (PR), dizendo que o partido abre mão do exame de corpo de delito.

 

Mas teve gente que manifestou irritação com a liminar do ministro, em princípio irreversível ainda neste ano. Candidato derrotado à presidência da República, o senador Alvaro Dias (Podemos) fez o seguinte comentário no Twitter:

 

Deputado federal eleito e líder do MBL, Kim Kataguiri (DEM) fez um registro pesado contra Marco Aurélio, também no Twitter.

 

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