Saia de 64 e tente contribuir com 2020, diz presidente da OAB a Heleno

Diferentes parlamentares e autoridades se manifestaram contra a nota emitida pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto Heleno, em que afirma que a apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro “é uma tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis na estabilidade nacional”.

O líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ), afirmou que vai representar contra ministro em uma ação com base na Lei de Segurança Nacional e que vê “com imensa preocupação que representantes do Poder Executivo estejam usando seus cargos para ameaçar e intimidar os demais poderes da República, em especial o Poder Judiciário, sem qualquer apreço à democracia”.

Além da representação, Molon também fará uma representação por crime de responsabilidade. As representações serão na Procuradoria-geral da República.

O deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) reagiu pelo Twitter. “A ameaça golpista do General Heleno além de ser um crime contra as instituições democráticas é uma tentativa de tirar o foco dos crimes de Bolsonaro no momento em que o ministro Celso de Mello decidiu divulgar o vídeo da reunião ministerial.”

O deputado José Guimarães (PT-CE) também usou suas redes sociais para se manifestar. “O governo Bolsonaro e seus seguidores estão levando o país ao precipício. Uma crise institucional que tende a se agravar com mais mortes causadas pela pandemia e recessão econômica. A nota do General Heleno é uma clara ameaça à ordem institucional e à democracia.”

A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) questionou o significado da nota. “Parece que querem blindar Bolsonaro de qualquer investigação. Eles se acham acima das leis e da democracia. São um perigo para o país.”

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), apontou que “Na República, nenhuma autoridade está imune a investigações ou acima da Lei. E na democracia não existe tutela militar sobre os Poderes constitucionais.”

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) entende a nota de Heleno como uma “clara ameaça do comandante do GSI. Quais seriam as consequências imprevisíveis, general Heleno? Vão desengavetar aquele Ato Institucional que dorme há meses na gaveta?”

Felipe Santa Cruz, presidente nacional da OAB, afirmou que as instituições democráticas rechaçam o anacronismo da nota publicada pelo ministro. ”Saia de 64 e tente contribuir com 2020, se puder.

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