Sob “panelaço”, Bolsonaro faz pronunciamento e integrantes da CPI reagem

Em discurso na noite desta quarta-feira, o presidente da República Jair Bolsonaro defendeu a realização da Copa América no Brasil e voltou, novamente, a se colocar contra políticas de distanciamento social para o combate à pandemia da covid-19. O Brasil registra, atualmente, mais de 460 mil mortos em decorrência do coronavírus.

"O nosso governo não obrigou ninguém a ficar em casa. Não fechou comércio, não fechou comércio e não fechou igrejas e escolas, e não tirou o sustento de trabalhadores informais", disse o presidente. Em um momento em que a CPI da Covid pressiona o governo por sua ação no combate ao coronavírus, Bolsonaro voltou a reproduzir informações distorcidas sobre a vacinação em território nacional, e disse que o maior compromisso, dele e da equipe de 22 ministros do governo, é com  a liberdade.

O presidente evitou atritos diretos com governadores, mas atacou indiretamente o governador paulista João Doria (PSDB), ao se referir à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), de controle federal. "Essa Companhia socorreu nossos irmãos de Aparecida e Araraquara, entre outras cidades do interior de São Paulo, doando dezenas de toneladas de alimentos", disse, em seu discurso.

O discurso em rede nacional durou cerca de cinco minutos e foi acompanhado por panelaços em diversas capitais brasileiras. Mais cedo, parlamentares convocaram manifestações simbólicas  nas redes sociais e em pouco tempo a hastag #panelaço estava entre mais comentadas do Twitter brasileiro.

Senadores emitem nota de crítica após pronunciamento

Na avaliação dos senadores que conduzem a CPI da Covid o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro exaltando as vacinas adquiridas pelo Brasil, seria não uma mudança de postura do chefe do Executivo, mas uma resposta ao esforço da CPI da Covid em torná-lo responsável pela desastrosa campanha de combate à doença.

Assinam a carta o presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM), o vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL). Endossam o documento os titulares da CPI Tasso Jereissati (PSDB-CE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Eduardo Braga (MDB-AL), além dos suplentes Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Rogério Carvalho (PT-SE).

"Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse recuo vem tarde demais", escreveram os parlamentares. O texto foi divulgado minutos após o pronunciamento de Bolsonaro.

Os parlamentares disseram, ainda, que o discurso vem com 432 dias de atraso. "A inflexão do presidente da República celebrando vacinas contra a covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso". Eles seguem: "O Brasil esperava esse tom em 24 de março em 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de 'gripezinha'."

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