“Nem com a ajuda do pai conseguiu a maioria”, diz Joice sobre Eduardo

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou nesta sexta-feira (18) que se comprometeu com o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) e que não “sacrificaria” sua palavra “botando um menino na liderança que não consegue nada sozinho”. “Nem com a ajuda do pai [ele] conseguiu a maioria para estar líder do PSL”, disse.

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A deputada foi destituída da liderança do PSL no Congresso nessa quinta, após assinar a lista que pedia a manutenção de Waldir como líder do partido na Câmara. O outro candidato, da ala pró-Bolsonaro, era Eduardo, mas ele não conseguiu a maioria das assinaturas.

“Eu gosto do Eduardo, eu respeito o Eduardo como parlamentar, agora tudo que ele conseguiu foi à sombra de alguém, e agora, nem mesmo com a interferência direta do presidente da República, ele conseguiu a maioria para ser líder”, afirmou a deputada.

Joice criticou a interferência do presidente na indicação do líder do partido na Câmara e disse que Bolsonaro não deveria ter entrado nessa discussão. “Isso em uma democracia não é uma coisa aceitável, e por não aceitar esse tipo de coisa é que minha cabeça foi servida em uma bandeja, graças a Deus”, disse.

Ela defendeu, no entanto, que o presidente permaneça na sigla. Segundo ela, Bolsonaro precisa do PSL e o PSL precisa de Bolsonaro. “Se o PSL não estiver unido, esqueçam. Não passa mais nenhuma PEC (proposta de emenda à Constituição)”, afirmou.

Joice acredita que a movimentação pró-Eduardo na liderança da Câmara tornou a indicação dele para a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos mais difícil. “Nessa movimentação que o Eduardo fez junto com esse grupinho mais ideológico do PSL, ele não conseguiu mostrar força sequer para se tornar líder de um partido, ainda que a estrutura do Palácio tenha sido usada”, disse.

Destituída do cargo

Joice afirmou também que comemorou a sua retirada do cargo de líder do governo no Congresso.”Eu tô realmente muito tranquila porque eu entreguei o que eu tinha que entregar”, disse.

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Ela afirmou não se sentir injustiçada, mas disse que o presidente Jair Bolsonaro foi “mal educado” e ingrato”, por não ter avisado pessoalmente a ela sobre a mudança – segundo Joice, ela descobriu que não estava mais no cargo pela imprensa.

Apesar disso, ela disse que não esperava uma postura diferente do militar da reserva. “Eu conheço o jeitão [do presidente]. Eu não esperava nenhum tipo de gentileza ou fidalguia. Eu sei quem é o presidente”, comentou.

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