Movimento une 100 lideranças políticas e promete reviver as Diretas Já

Um dia após a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República, surgiu um novo movimento no cenário político nacional: Direitos Já. Como o nome sugere, ele foi inspirado no ato das Diretas Já. O organizador do grupo suprapartidário é o sociólogo Fernando Guimarães, que em 1992 foi uma das caras pintadas nas que levaram ao impeachment de Fernando Collor. Agora, o movimento puxa uma frente em defesa da democracia que reúne nomes que vão de Guilherme Boulos ao general Santos Cruz.

"Direitos Já é um movimento que surge um dia após a eleição de Bolsonaro, quando ele reafirma os compromissos de campanha de uma agenda anti-civilizatória e diante da perspectiva autoritária que ele sempre teve como princípio", explica Guimarães.

"Isso fez que nós reuníssemos com amplos setores da sociedade civil e agregássemos lideranças políticas de amplos  espectros dos mais diversos partidos, onde tivéssemos um fórum pela democracia, ou seja, um espaço onde pudéssemos deixar as diferenças, as disputas, os projetos eleitorais de lado para nos concentrarmos na defesa do estado democrático de direito, dos valores que estão na nossa Constituição", relata.

O primeiro encontro do grupo aconteceu em maio de 2019, reunindo lideranças dos mais diversos setores da sociedade social. "Tivemos então um ato de lançamento para a sociedade apresentando o Direitos Já, que foi no Tuca, reunindo mais de 300 organizações da sociedade civil, 16 partidos políticos que lá tiveram seus líderes presentes", conta.

A criação do movimento levou Fernando a ser expulso do PSDB após 30 anos de militância partidária. O cientista social conta que o governador João Dória não gostou da articulação e articulou pelo seu afastamento. Nunca houve um processo interno, o militante só soube que fora expulso meses depois, acessando o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Fernando afirma que não se engaja mais com a pauta do PSDB e que por isso não recorreu.

Em 2020, o movimento planejava uma rodada de seminários presenciais em diversos estados do país, mas precisou cancelar devido a pandemia da covid-19.

O movimento, então, resolveu seguir com o planejamento de maneira online. Semanalmente, Fernando reúne lideranças políticas e sociais, indo desde Luciano Huck a lideranças do PCdoB.

Nessa sexta (26), às 19 horas, o grupo dará um passo além e reunirá 100 lideranças políticas, de 16 partidos diferentes, todas reunidas virtualmente para debater o futuro da democracia brasileira. "Nós estamos trazendo para o formato digital o nosso terceiro ato, o tema da democracia é a questão central, que está vivendo em permanente ataque. A questão da vida diante de um governo que opta pela necropolítica e da proteção social, do qual sem ela não se pode garantir a vida", conta Fernando.

"Esse é um grande ato que nos remete a importância histórica das Direitas Já, capaz de colocar as mais diversas lideranças de diferentes campos políticos que entendem que nesse momento a agenda tem que ser a defesa da democracia, porque só ela pode assegurar que os distintos projetos de país e de sociedade possam disputar", afirma.

Fernando Guimarães começou na vida política aos 13 anos, atuou em toda América Latina através de institutos e organizações. Inspirado por um dos criadores do PSDB, André Franco Montoro, que foi governador de São Paulo entre 1983 e 1987, o militante acredita que esse é o momento do país voltar aquele mesmo espírito que regeu a retomada democrática e do qual Montoro participou.

"Esse imperativo histórico de deixar as diferenças de lado para estarmos todos presentes. Ele é um ato da sociedade e que as lideranças políticas, aqueles que tem mandato parlamentar, aqueles que representam o povo, devem participar", fala Fernando.

Porém, o ato que contará com a presença de lideranças partidárias de 16 siglas diferentes, não terá a presença do ex-presidente Lula. Segundo Fernando, Lula agradeceu, mas rejeitou o convite. A ex-presidente Dilma também não confirmou presença. Essas atitudes são lamentadas por Fernando, que acredita que todos os ex-presidentes deveriam participar desse momento histórico.

Questionado sobre o porque não convidou o ex-juiz Sergio Moro, Fernando é sucinto na resposta: "Ele fez parte desse governo".

Os 100 participantes estarão todos reunidos virtualmente e terão entre um e dois minutos para apresentarem suas visões de país. O evento tem duração prevista de 4h e será transmitido pela página do Facebook do movimento Direitos Já.

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