Governo precisa ir além da reforma da Previdência, cobra Casagrande

Com olhares voltados para o empenho lânguido da economia brasileira, os sete governadores do Consórcio de Integração Sul e Sudeste se encontram, no sábado (24), para discutir o desenvolvimento e a geração de emprego do Brasil. Quem sediará a quarta reunião do grupo no ano será o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), considerado um dos governadores mais influentes pela cúpula do Congresso, conforme mostra pesquisa feita pelo Congresso em Foco em parceria com a In Press Oficina.

O encontro será realizado em meio às expectativas sobre a inclusão de estados e municípios na reforma da Previdência e sobre o andamento do pacto federativo no Congresso Nacional, com propostas que ofereçam novos recursos aos governos, antiga reivindicação de prefeitos e governadores.

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Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, Casagrande demonstrou preocupação com a demora da retomada do crescimento. “O governo pendurou toda sua expectativa na reforma da Previdência, mas agora precisa adotar outras medidas”, afirmou.

Segundo ele, o investimento em infraestrutura e a política de gás são medidas importantes para alavancar a economia, gerando novos postos de trabalho. “É com a preocupação do desemprego, da retração da economia, que vamos fazer o debate no sábado”, acrescentou.

 

Que resultado o senhor aguarda do encontro com os governadores?

O cerne do encontro é a retomada do desenvolvimento e a geração de emprego. Estaremos na presença do presidente da Câmara e do presidente do Senado para discutir a pauta federativa, aquilo que é importante para os estados e municípios, especialmente a inclusão na reforma da Previdência, o fundo social e a cessão onerosa. Há diversos temas federativos que estão na pauta do Congresso Nacional e vamos tratar de uma maior autonomia aos governos estaduais.

 

Está prevista ainda a presença de integrantes do governo?

Vamos ter a presença do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (Bruno Eustáquio Ferreira Castro de Carvalho), que vai apresentar a política de gás, e teremos a presença do ministro da Infraestrutura (Tarcísio Freitas), sobre investimentos no Sul e no Sudeste. Nosso encontro tem objetivo de criar um ambiente (favorável) e ajudar a aprovar matérias que deem dinamismo à economia brasileira.

 

No governo Bolsonaro, houve expectativa de criação de novos empregos. Como o senhor encara?

A retomada do crescimento está mais difícil do que se anunciou. O governo pendurou toda sua expectativa na reforma da Previdência, mas agora precisa adotar outras medidas. O investimento em infraestrutura é um caminho importante para gerar emprego, assim como a política de gás. Dar aos estados condições de investimento também é uma ação relevante para gerar emprego. É com a preocupação do desemprego, da retração da economia, que vamos fazer o debate no sábado.

 

E sobre o pacto federativo, está tudo pacificado?

Ainda não conhecemos um projeto articulado de pacto federativo. Estamos trabalhando as ações pontuais que tramitam no Congresso Nacional. São medidas que podem fortalecer a economia brasileira, por meio do fortalecimento dos estados.

 

Qual a sua avaliação sobre a proposta do governo em criar uma nova CMPF?

Neste formato, não. Estamos começando a discutir uma reforma tributária e qualquer mexida em tributo tem que estar em sintonia com essa reforma. Não dá para discutir uma proposta isolada. Sou contra dessa forma.

 

O senhor defende uma reforma da Previdência para estados e municípios, em que pese o seu partido tenha ficado contra a proposta do governo federal?

O mérito já foi vencido. Agora, é uma questão de forma. Na forma, acho que todos os governadores são favoráveis a termos a inclusão de estados e municípios.

 

Como o senhor avalia a política econômica do governo Bolsonaro?

Concordo com a privatização de algumas empresas, não com as do setor de energia e de petróleo, e com a política de gás. No entanto, acho que o governo está demorando para tomar medidas de retomada do crescimento da atividade econômica. Ele ficou muito dependente da votação da reforma da Previdência, o que segurou o crescimento do país.

 

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