Governo não intervirá em peças publicitárias de estatais, diz secretaria

A Secretaria de Governo informou, na noite da última sexta-feira (26), que peças publicitárias empresas estatais não precisarão passar pelo aval do governo. Na última quinta, a Secretaria de Comunicação (Secom) havia enviado um e-mail a estatais como Petrobras e Correios informando que os comerciais passariam a ser submetidos ao crivo da secretaria.

A determinação foi dada após um vídeo de 30 segundos do Banco do Brasil, marcado pela diversidade racial e sexual dos atores e atrizes, ter sido vetado após uma intervenção direta do presidente Jair Bolsonaro junto ao presidente do BB, Rubem Novaes.

"Em atendimento à decisão estratégica de maximizar o alinhamento de toda ação de publicidade do Poder Executivo federal, comunicamos que a partir desta data o conteúdo de todas as ações publicitárias, inclusive de natureza mercadológica deverá ser submetido para conformidade prévia da Secom" informava o e-mail enviado às estatais.

No entanto, a Secretaria de Governo [à qual a Secom está submetida] esclareceu que não intervirá nos materiais. "A Secom, ao emitir o email veiculado, não observou a Lei das Estatais, pois não cabe à Administração Direta intervir no conteúdo da publicidade estritamente mercadológica das empresas estatais", diz a nota.

Banco do Brasil

Na última quinta, Bolsonaro havia barrado a veiculação de um comercial do Banco do Brasil marcado pela diversidade de raça e estilo dos atores e atrizes. A peça adotava um tom jovial para convidar o público a abrir conta na instituição. Veja o comercial:

A informação foi divulgada pelo blog de Lauro Jardim, do jornal O Globo, e confirmada pelo Congresso em Foco.  A ordem foi dada por Bolsonaro diretamente ao presidente do banco, Rubem Novaes, e o diretor de Comunicação e Marketing da Instituição, Delano Valentim, foi demitido no desdobramento do caso.

"O presidente e eu concordamos que o filme deveria ser recolhido. Saída do diretor em decisão de consenso inclusive com aceitação do próprio", afirmou Rubem Novaes, por meio da assessoria do banco. O Planalto não se manifestou sobre o episódio.

"Brasil não pode ser um país de turismo gay"

Em um café da manhã com jornalistas na manhã desta quinta-feira (25), em Brasília, Bolsonaro reclamou da fama de homofóbico que teria no exterior. “Eu comecei a assumir essa pauta conservadora. Essa imagem de homofóbico ficou lá fora”, disse o presidente ao comentar ao Museu de História Natural, de Nova Iorque, em realizar um evento em sua homenagem. “O Brasil não pode ser um país do mundo gay, de turismo gay. Temos famílias”, completou.

Nos 27 anos em que foi deputado federal, Bolsonaro colecionou falas polêmicas sobre o público LGBT. Em um dos episódios, chamou de "palhaçada" um projeto de lei que propunha a criminalização da homofobia. “Tem de ter carecofobia, flamengofobia, corintianofobia, magrefolobia. Não é porque faz sexo pelo órgão excretor que tem de fazer uma lei para ele”, afirmou em entrevista à TV Câmara. “Ser homossexual virou um grande negócio”, emendou.

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